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domingo, 22 de dezembro de 2013

Um verdadeiro artista


Cresci a ouvir boatos sobre um humorista português cujo maior feito foi ter dado uma cara nova à comédia televisiva em Portugal. É certo que nunca gostei muito de algumas das personagens criadas, mas são a meu ver como "marcos históricos" que ainda são relembrados nos dias de hoje. "O tal canal" fica sem sombra de dúvida nas minhas memórias de criança, não por gostar mas sim porque era o programa que o então Canal 1 da RTP nos enfiava em casa todos os sábados à noite.


Comecei a apreciar o trabalho do Herman José já após a segunda metade da década de noventa, do século passado (é giro referir-me ao século XX), quando rumei a Coimbra para me formar na profissão que hoje exerço, felizmente. Na altura o programa em voga era o "Herman Enciclopédia", programa seguido religiosamente pelos meus colegas de casa, à terça-feira, se a memória não me falha. Foi um programa realmente marcante, ainda por cima com a companhia de brilhantes actores, infelizmente alguns já deixaram a existência terrestre, ficando porém na minha base de dados mental.


Seguiu-se o "Herman 97" em que a comédia aliada à entrevista passou a ser, no meu entender, um casamento perfeito. Era um formato já muito explorado noutros países e foi sem sombra de dúvidas muito bem integrado na nossa cultura televisiva e com boa escolha na apresentação. Quanto à apresentação, recordo um programa que em tempos deu na RTP 2 em que precisamente o Herman José fazia entrevistas, porém deixando de fora o seu lado normalmente humorístico. Comprovou assim a sua versatilidade enquanto actor, apresentador, personagem televisiva.


Não vou referir a sua passagem pela SIC, que reconheço ter começado muito bem, tendo-se estragado com a necessidade de de criar audiência. Ficam porém alguns (bastantes) bons momentos televisivos, infelizmente alguns de fraca qualidade, claro que não era intencional por parte do apresentador mas sim da direcção de programação.


A volta à RTP fez mexer um pouco com o homem que muito mal disse da televisão pública e que o próprio reconheceu numa entrevista na altura. Não foi culpa sua na totalidade, mas há sempre a necessidade de se ser comedido nestas coisas, pois nunca se sabe quando uma porta se fecha e a única que resta é aquela por onde se saiu. Há que se ser humilde em tudo na vida, excepto naquilo que se faz bem.


Ontem no programa "Alta Definição" da SIC, tão bem apresentado pelo jornalista/apresentador Daniel Oliveira, o entrevistado era o Herman José. Apanhei a entrevista já com o humorista a falar dos últimos momentos de vida terrena do seu pai. Mas não é deste momento que recordo, mas sim de outros que me marcaram, não pelo seu lado humorista que sempre o acompanha, mas pelo seu lado sério. Podem dizer o que bem entenderem deste senhor de 60 anos, mas a verdade é que aprendeu com a vida e aproveitou bem o que aprendeu (digo eu que sou apenas um espectador).


Herman José consegue manter a sua vida privada longe das câmaras e das revistas. Aquele momento em 2003 foi apenas um momento, que foi devidamente curado, tal como o mesmo referiu. Foi a meu ver metido num processo só porque a sua vida íntima é desconhecida. O mais triste é ser quem tanto o aplaude que acabe por não o aceitar verdadeiramente como um normal português.


Já dizia o Diácono Remédios




10 comentários:

João Roque disse...

Um marco fundamental do humorismo português. Criou "bonecos" fabulosos, mas para mim nenhum superou o Nélio.

Francisco disse...

É verdade que o Herman foi um grande comediante...

Quanto às histórias?! Tanto se poderia dizer acerca "do diz que disse"... Nunca ouvi dizer que o Herman dormia com menores...

Mark disse...

Eu admiro imenso o Herman. É, na minha opinião, o maior humorista português da actualidade e aquele que levou o humor ao seu expoente máximo. Ele é óptimo em qualquer formato, seja nos programas humorísticos como o 'Hora H' (um fracasso), o 'Herman Enciclopédia' ou o 'Tal Canal', assim como em talk-shows, em apresentar galas ou até reality-shows, como o Masterplan em 2002.

A sua passagem pela SIC foi muito bem sucedida até começar a ser devorado pela máquina de audiências que surgiu com a necessidade imperiosa de fazer frente à toda-poderosa TVI. Aí, banalizou-se. Era a Linda Reis, os bruxos, etc. Um nojo.

O Herman fala sempre do pai. É tema a que recorre com frequência. Quanto ao escândalo de 2002/3: os pais, segundo me disseram, viram-no muitas vezes acompanhado de jovens nas galerias do Hotel Ritz. Já as idades, enfim, ninguém pode provar nada.

Ribatejano disse...

João

O Nelo tem um gostinho especial, mas outras personagens são inesquecíveis também, como o Tony Silva e o Diácono Remédios.

Ribatejano disse...

FRancisco

Foi?! É ainda meu caro, é ainda.

Ribatejano disse...

Mark

Tu que és homem de leis disseste uma coisa correcta, enquanto não se provar não se pode atacar.

João Eduardo disse...

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Sem dúvida nenhuma que Herman foi um humorista que marcou o humorismo português. Segui alguns dos seus trabalhos e é incontestável que marque algumas gerações que nasceram com ele na RTP, quando nada mais existia. Ao longo dos tempos o Herman andou ao sabor dos gostos, dos interesses de alguns e por fim doutros interesses comerciais e sádicos que a televisão tem imposto por via da guerra das audiências. Por vezes isso mina a genialidade dos artistas, profissionais da arte. Muito vezes tem que colocar na boca aquilo, que noutro quadrante não diriam. Mas o Herman sempre soube contornar esses obstáculos, apesar de ter sido vitima de gente tinhosa, inqualificável que nem na lixeira mereciam viver. Mas são esses que instrumentalizam a comunicação social e o mercado do audiovisual. É por isso que cá em casa a TV cada vez mais só serve para decoração ou ver filmes.

Abraço

@@

Ribatejano disse...

João Eduardo

Engraçado como a minha televisão é quase da mesma marca da tua: Só para filmes e pouco mais.

João Eduardo disse...

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rs rs

Cada vez mais encontro pessoas com a mesma decoração.

Boas Festas

Ribatejano disse...

lol