Este blogue tem conteúdo adulto. Quem quiser continuar é risco próprio; quem não quiser ler as parvoíces que aqui estão patentes, só tem uma solução.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Caloice

A caloice invade-me nos dias que correm. Não me refiro ao meu emprego, nem sequer às minhas tarefas caseiras (um pouco talvez), nem sequer às minhas actividades desportivas. Refiro-me à minha aptidão para a escrita (embora às vezes duvide da capacidade) que me faz afastar cada vez mais da vida blogueira.

Recentemente reli alguns textos que escrevi em tempos para complementar este blogue. Uns foram publicados, outros ficaram como projectos a serem continuados um dia, naquele caderno onde a minha letra tão feia se mistura com ideias, a meu ver até bem interessantes. Histórias que na altura pareciam seguir o caminho da felicidade mas que, com o passar do tempo e cada vez mais, tenho a certeza que a tristeza será o fim ideal.

Esta minha mania de conversar comigo próprio, criando histórias, monólogos, diálogos até, tem claramente um contra, prova de que a caloice é real: muito do que escrevo mentalmente, jamais passará para o papel. [neste momento interrompo o texto por causa de uma música que gosto bastante] Possivelmente outros grandes escritores já tiveram momentos assim (é claro que não me quero comparar a quem quer que seja), passando depois a ter momentos de uma criatividade insuperável, ao ponto de a registarem devidamente.

Já perdi a conta ao número de vezes que escrevi que este blogue sempre foi uma tentativa de provar a mim próprio a capacidade de criar. Talvez a oportunidade de lançar ao mundo a ideia que afinal até tenho algum valor. Talvez apenas uma tentativa de chamar a atenção de alguém, frustrada talvez, não contando porém com aqueles incautos que se martirizam ao passar por aqui mais do que uma vez e ao qual a minha modéstia pessoa agradece.

[é aqui que a caloice me ataca com ferocidade]

E prontes... cá fica mais uma actualização. Triste actualização...




quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Ultimamente...

... tem morrido tanto artista, agora foi a vez da Madalena Iglésias. Ainda por cima tudo gente nova.


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Scotish

Não entendo 80% do que o rapaz diz devido ao sotaque escocês, mas como lhe acho alguma piada vou continuar a acompanhar as aventuras. É ciclista como eu, só por isso já merece o meu respeito.


Já agora, tem uma pancada por fatos de mergulho e similares. rsrsrs




terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Ano Novo...

... velho blogue.




terça-feira, 28 de novembro de 2017

desconcertos



Eis-me uma vez mais invadido pelos mesmos pensamentos que ao longo do passar do tempo povoam cada uma das células que compõem o meu cérebro. Como que congelado fico, ao passar revista a cada memória que possuo e que se resume invariavelmente ao cerne do problema que me impede de descansar. Se por um lado sou quem cria a desconcertante incerteza, de igual modo estará em mim a solução. Tantas vezes já invadido fui pela confiança de que um dia tudo será resolvido, entretanto sento-me e olho esse futuro longínquo, que parece estar apenas à distância de um braço mas que na verdade se afasta a uma desconcertante velocidade. E voltam os pensamentos...




sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Uma manhã de domingo e outras memórias

A vida atarefada leva-me muitas vezes a esquecer pessoas que me são queridas, acontecimentos que me fizeram feliz, lugares por onde passei e que já devia lá ter voltado.

Cresci e aqueles que outrora julguei serem presenças constantes na minha vida, porque já cá estavam quando vim a este mundo, aos poucos partem, deixando-me um vazio, talvez só preenchido pela recordação dos momentos vividos que nos fizeram trocar sentimentos, sorrisos, lições de vida.

Toca o telefone, é a minha mãe. O coração pula sempre que me liga fora do horário habitual. Fico a pensar nalguma desgraça. Algumas vezes são apenas conversas quase sem nexo, dúvidas tão simples como o que fazer se a televisão deixou de funcionar ou apenas o comando; outras, notícias derradeiras, o final da vida de algum familiar, por exemplo. Após esse momento é um misto de angústia com a de felicidade por saber que nada de grave se passa com aqueles que me são mais próximos.

Um domingo de manhã e vou a caminho da área metropolitana da capital. O velório de um familiar que sucumbiu perante um cancro, essa doença tão habitual nos dias que correm. Não fora a idade avançada do meu ente querido e a tristeza seria talvez maior.

Já não se vêem as célebres carpideiras, cujo choro e rezas em sintonia quebravam o silêncio angustiante daquela sala onde o preto era uma obrigatoriedade, salpicado unicamente por ramos de flores, tantas vezes a companhia do final de vida, mesmo quando a vida não tenha sido florida.

O preto nos dias de hoje já não cobre todos os que com a sua presença pretendem prestar as últimas homenagens. Já ninguém veste o fato de cerimónia, nem sequer as senhoras usam o lenço de renda pela cabeça. Camisolas de manga curta, vestidos de cores mórbidas mas vistosos e até calções e sapatilhas, acompanham o caixão até ao fim.

Volto para casa e nem sequer vou ao cemitério, pois não faz sentido acompanhar aquele caixão até ao forno onde irá arder e cujas cinzas serão depois entregues aos familiares, para que tomem a decisão sobre o que fazer com elas. Fui educado unicamente para acompanhar o corpo até à morada final, o buraco escavado no chão, coberto com sete palmos de terra.

As vidas de quem cá ficou seguem em frente. Os que partiram deixam as memórias.  Enquanto essas memórias forem recordadas ninguém morre realmente.