Este blogue tem conteúdo adulto. Quem quiser continuar é risco próprio; quem não quiser ler as parvoíces que aqui estão patentes, só tem uma solução.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Uma manhã de domingo e outras memórias

A vida atarefada leva-me muitas vezes a esquecer pessoas que me são queridas, acontecimentos que me fizeram feliz, lugares por onde passei e que já devia lá ter voltado.

Cresci e aqueles que outrora julguei serem presenças constantes na minha vida, porque já cá estavam quando vim a este mundo, aos poucos partem, deixando-me um vazio, talvez só preenchido pela recordação dos momentos vividos que nos fizeram trocar sentimentos, sorrisos, lições de vida.

Toca o telefone, é a minha mãe. O coração pula sempre que me liga fora do horário habitual. Fico a pensar nalguma desgraça. Algumas vezes são apenas conversas quase sem nexo, dúvidas tão simples como o que fazer se a televisão deixou de funcionar ou apenas o comando; outras, notícias derradeiras, o final da vida de algum familiar, por exemplo. Após esse momento é um misto de angústia com a de felicidade por saber que nada de grave se passa com aqueles que me são mais próximos.

Um domingo de manhã e vou a caminho da área metropolitana da capital. O velório de um familiar que sucumbiu perante um cancro, essa doença tão habitual nos dias que correm. Não fora a idade avançada do meu ente querido e a tristeza seria talvez maior.

Já não se vêem as célebres carpideiras, cujo choro e rezas em sintonia quebravam o silêncio angustiante daquela sala onde o preto era uma obrigatoriedade, salpicado unicamente por ramos de flores, tantas vezes a companhia do final de vida, mesmo quando a vida não tenha sido florida.

O preto nos dias de hoje já não cobre todos os que com a sua presença pretendem prestar as últimas homenagens. Já ninguém veste o fato de cerimónia, nem sequer as senhoras usam o lenço de renda pela cabeça. Camisolas de manga curta, vestidos de cores mórbidas mas vistosos e até calções e sapatilhas, acompanham o caixão até ao fim.

Volto para casa e nem sequer vou ao cemitério, pois não faz sentido acompanhar aquele caixão até ao forno onde irá arder e cujas cinzas serão depois entregues aos familiares, para que tomem a decisão sobre o que fazer com elas. Fui educado unicamente para acompanhar o corpo até à morada final, o buraco escavado no chão, coberto com sete palmos de terra.

As vidas de quem cá ficou seguem em frente. Os que partiram deixam as memórias.  Enquanto essas memórias forem recordadas ninguém morre realmente.




terça-feira, 31 de outubro de 2017

Talvez uma aventura não fizesse muito mal nos dias que correm

Moreno. Barba curta. Cabelo penteado. Alto, ao ponto de me fazer olhar para cima... uma raridade. Calças justas mas não demasiado.

Dizem que a lista de compras mostram muito sobre a pessoa. Sobretudo comida embalada, daquela que é só abrir e consumir. Talvez alguém que não tivesse tempo de cozinhar ou que não apetecesse ou ainda que não tivesse grandes condições para o fazer, talvez prova de que fosse um simples forasteiro, daqueles que alugam quarto por apenas alguns dias.

Ficou o perfume após fazer o pagamento no balcão do supermercado. Ficou acima de tudo alguma vontade de ir atrás e perguntar se estaria interessado num prato quente acabado de fazer. Uma tentativa de tentar descobrir a extensão daquela tatuagem que saía da camisola na zona do punho.





segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Finalmente




sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Existem alturas...

... em que só me apetece subir ao prédio mais alto e saltar.




Depois acordo e percebo que é um novo dia.


quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Dizem que...

... a música de que cada um gosta define a personalidade da pessoa.

Mas sendo ecléctico que tipo de pessoa serei?






Às vezes apetece...

... voltar ao passado.


Mesmo quando é muito anterior à minha própria existência.



sexta-feira, 14 de julho de 2017

Coisas que se dizem por aí (1)

"PIMENTA NO CU DOS OUTROS É REFRESCO."