Este blogue tem conteúdo adulto. Quem quiser continuar é risco próprio; quem não quiser ler as parvoíces que aqui estão patentes, só tem uma solução.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Passatempos

Certo dia meti na cabeça que deveria ser pescador desportivo. Comprei uma cana de pesca numa loja oriental e parti para a aventura. Como não há rio por aqui com peixe optei por ir até ao mar. A tarde estava boa e o oceâno mantinha-se calmo. Pousei os apetrechos, coloquei isco no anzol e atirei-o para a zona de rebentação. Talvez por sorte de iniciante logo à segunda vez pesquei um peixe. Um carapau, que apesar de tentar fugir, foi parar ao balde com água que estava junto a mim. Voltei a lançar a linha, sentei-me e puz-me a apreciar o belo carapau.

Aquele peixão fitou-me com muito interesse. A certa altura assobiou-me e olhei para dentro do balde. «Ainda bem que olhaste, aqui sinto-me sozinho.» - disse o carapau - «Se quiseres conto-te uma história do sítio de onde eu venho.». Concordei e escutei-o com atenção.

«O meu mar é imenso e tem muita vida. Tanta que o homem nem sequer conhece uma ínfima parte do que lá existe. Conheci em tempos duas Cirrhitichthys falco, que vocês aqui na terra conhecem por peixe-falcão. Eram a Ada e a Eva e eram amigas desde a altura em que saíram das ovas de onde se desenvolveram. Eram inseparáveis, onde estivesse a Ada não muito longe estaria a Eva. Metiam-se em tantas confusões, que Neptuno, o Deus que manda nos oceânos, já nem dava grande importância.

Ada gostava de cantar e tinha uma das mais bonitas vozes do mar, até as sereias tinham inveja. Já Eva era mais dada a corridas, havia quem lhe chamasse até “carapau de corrida”. As duas juntas formavam assim o par mais desconcertante. Simpáticas com todos, amadas pelos mais chegados.

Acontece que naquela espécie quando o número de fêmeas é muito maior do que os machos podem controlar, há necessidade de uma delas mudar de sexo. Neptuno escolhe quem passa a ser macho, quem se tem que sacrificar para o bem da espécie. O chefe optou por Eva, que ao contrário do que seria de esperar, ficou muito desgostosa. Não se estava a ver com o nome de Ivo, ainda menos a controlar um harém de fêmeas tresloucadas. Mais preocupante ainda era a terrível separação de Ada, que ficaria no clã do outro macho reprodutor.

Eva decidiu ir falar com Neptuno. Não haveria outra fêmea que estivesse mais interessada em se entregar por tão grande honra? Neptuno não é Deus de se deixar ir por sentimentalismos e informou-a logo que a única hipótese era ser Ada a escolhida. De qualquer das formas as duas jamais poderiam continuar a ser amigas.

Chegou o dia da transformação e Eva lá compareceu perante Neptuno. Este, num momento raro de pura generosidade e sentindo pena de Eva, decidiu então quebrar as suas regras e fazer um acordo final com Eva: dar-lhe-ia mais um dia de fêmea com a condição que o utilizasse para fazer o que lhe dava mais prazer.

Eva pulou de alegria e sabia bem como passar o dia que Neptuno lhe dava. Correu em direcção ao sítio onde Ada estava, cabisbaixa, chorando pela amiga que nunca mais veria. Eva abraçou-a e explicou à amiga que tinham mais um dia juntas. Foi o dia mais bem aproveitado de ambas, fizeram de tudo o que mais gostavam. No final do dia, Eva, chegou perto da sua amiga, beijou-a e disse-lhe que a amava e que gostaria de ficar o resto de sua vida junto da sua mais querida amiga. Porém Neptuno tinha-lhe destinado uma vida completamente diferente. Ada despediu-se da amiga e Eva partiu em direcção ao seu destino.

Por ironia do destino o macho reprodutor que tinha o harém demasiado grande fora entretanto apanhado na rede de um arrastão espanhol e Neptuno viu-se na necessidade de transformar duas fêmeas para ocuparem os dois haréns. Eva passou a Ivo e Ada foi a outra escolhida, passando a chamar-se Edu.

Algum tempo depois Ivo e Edu encontraram-se por acaso no mar e ficaram estupefactos a olharem-se mutuamente. Tornaram-se bons amigos e de quando em vez ainda se encontram para partilharem as suas aventuras.»

Olhei o carapau e pensei cá para mim que o peixe só me quis enganar, mas tive de concordar que a história era até bem interessante. Decidi então dar-lhe mais uma oportunidade e soltá-lo, deixando-o partir em paz. A velocidade com que o perdi de vista fez-me crêr que tinha soltado um verdadeiro carapau de corrida.

8 comentários:

Francisco disse...

Caso para dizer: Ai Cara-pau :)

A culpa, foi do pau do Neptuno, se fosse A****

Olha lá o que sairia :P

Adorei o texto, desculpa este meu comentário :)

Não o publiques ahahahahahaha

Ainda estou a rir com o que escreveste e a imaginar que agora os Carapaus viraram Gays lolololol

Ribatejano disse...

Ups... publiquei.

Não são carapaus mas sim peixes-falcão. loooooooooooool

Margarida disse...

não interessa a raça do peixe, mas caramba (tirando um ou outro erro, desculpa lá), está fantástica. muito, muito boa. parabéns.

miguel disse...

gosto muito da maneira como as tuas histórias começam. e às vezes ainda gosto mais da maneira como terminam.

Ribatejano disse...

Margarida

Erros?! Onde?!

Raios que nunca mais aprendo.

Obrigado pela tua opinião.

PS: É claro que a raça do peixe interessa, tubarões não mudam de sexo. hahaha

Ribatejano disse...

miguel

Sou apenas um amador.

O final desta história não é bem o que eu pretendia, mas já ia demasiado longa para lhe dar o final feliz mais apropriado. ;)

Margarida disse...

oceano não leva acento
pus-me não é com 'z' :p
um carapau de corrida... ainda estou a rir com o fim :D

Ribatejano disse...

Eu sou do tempo em que oceano ainda usava circunflexo.