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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Sons do campo

É estranho, já não ouço o relógio da capela a tocar durante a noite. Consequência de uma lei que se esqueceu da importância de tal dispositivo no meio rural.


A capela vai ainda sendo, sem qualquer sombra de dúvida, um dos mais importantes elementos sociais dos pequenos centros rurais. Não se trata apenas de um lugar de culto. É acima de tudo um espaço social.

O toque do relógio sempre foi um elemento crucial. No meio da lavoura, era o som do martelo a bater no sino, que ordenava o início, pausas e fim do dia de trabalho. O relógio sempre foi companhia nos tempos de solidão. É a certeza da hora certa. A união entre todos.

Hoje os relógios povoam os pulsos de todos, tal como os telemóveis, computadores e outros dispositivos modernos. Sempre gostei de ouvir o toque durante a noite. O silêncio é mais desconcertante, faz-me sentir mais só, aumentando a nostalgia de outros tempos.


As leis dos homens são muitas vezes implacáveis, pois esquecem que, apesar do país ser pequeno, as diferenças existem. A vida da grande cidade impõe silêncios. A vida do resto do país implora compreensão. E o silêncio no meio rural não é bom presságio.


(texto original escrito logo a seguir ao anterior publicado)



8 comentários:

João Roque disse...

Entendo o que queres dizer mas não concordo com algumas coisas.

A vida da grande cidade não impõe silêncios, antes pelo contrário, mas impôe certos silêncios, esses a que tu te queres referir. Aliás é para fugir ao ruído que tanto se foge da cidade e se busca o silêncio rural.

Já quanto ao silêncio do meio rural não ser bom presságio, penso que te referes à desertificação e nisso tens razão, mas a imagem não é a melhor, pois o silêncio rural é sempre o mesmo com poucas variações.
Concluindo, nunca se está totalmente bem, pois todos gostamos mais de estar onde não estamos, pelo menos, de vez em quando...

Francisco disse...

Gosto de ouvir os sinos das igrejas :)

Sempre gostei :)

Ribatejano disse...

João

Se os meus escritos fossem todos correctos não havia contraditório e isso não quero neste espaço. Gosto de suscitar dúvidas e de ouvir opiniões.

Eu já vivi na cidade e o silêncio era raro.

Ribatejano disse...

Francisco

Tu és um romântico.

;)

João disse...

Já por isso é que no campo temos as galinhas e os passarinhos a acordarem-nos bem cedo! ;)

Ribatejano disse...

João

Houve um alfacinha que foi viver para o campo e fez queixa à polícia que o galo do vizinho fazia muito barulho.

Pode parecer uma anedota mas é pura verdade.

E esta hein?!

Margarida disse...

gostei muito deste texto. associo sempre o toque do sino à minha infância, mas não são apenas as badaladas, mas a avé-maria que as antecede, as horas, os quartos, as meias-horas e os quarenta e cinco minutos. acordava sempre cedo na casa da avó e mesmo sendo longe a igreja, o vento trazia o toque para o nosso lado.
agora, onde moro, há um ano que existe uma igreja e toca, mas apenas as horas (tal como a igreja do seixal, o que me ajuda quando ando à beira-rio e não levo relógio).
por outras palavras, traz-me uma imensa nostalgia este toque...

Ribatejano disse...

Margarida

É sempre bom relembrar os óptimos momentos do passado. Apenas vou dando uma ajuda.

:D