Este blogue tem conteúdo adulto. Quem quiser continuar é risco próprio; quem não quiser ler as parvoíces que aqui estão patentes, só tem uma solução.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Reclamação - parte 4

Acho que não aqueci lugar pois fui chamado de imediato. «Terceiro gabinete à esquerda.» Disse-me um rapaz bem apessoado. Segui, entrei no tal gabinete e sentei-me. O assento estava frio, mármore. Na secretária, de carvalho velho, um homem, de cabeça virada para os papéis, resmungava. Parece que no céu estão todos mal humorados. Ao que parece, pelo que me disse o velho, as contigências financeiras obrigaram a autentar o número de horas de trabalho. Até os arcanjos já pensavam em fazer greve. «Sabe porque está à minha frente?» perguntou-me. Acenei a cabeça negativamente. «Está aqui porque o raio do software do cálculo do coeficiente de entrada no céu deu erro de novo. E quando dá erro mandam sempre aqui para o velho Joseph Ratzinger. Raios de sorte a minha. Tanto que eu lutei em vida e agora isto.»

«Nos termos da adenda ao artigo 6969 do regulamento de acesso às portas do paraíso, que muito foi contestado mas que o patrão foi resolutivo, todos os homossexuais têm o direito de se arrependerem. Por isso tem uma de duas opções: ou se arrepende imediatamente ou ficará na sala à espera que se arrependa.»

Já esperava há uma eternidade quando me lembrei que sendo a burocracia do céu tão parecida com a da terra, decerto haveria uma solução para o meu problema. Lembrei-me então de ir até ao guichet e pedir o livro de reclamações. Um trovão iluminou o tecto e todos olharam em minha direcção. O homem, de olhos esbugalhados, abriu a boca. Quase dava para lhe ver o estômago. «Livro de reclamações?!».

Indicaram-me uma sala de porta verde. Não a consegui abrir à primeira, de tão enferrujada que estava. Talvez fizesse muito tempo que não era aberta. Pelo menos estava limpa. Um banco iluminado, de tecido felpudo, esperava por mim. Sentei-me e como por magia, apareceu uma secretária, uma caneta e uma folha de papel.

Assim que pousei a caneta no papel para escrever a minha reclamação, um novo trovão entoou pelo espaço. Desta vez o susto foi ainda maior. E do meio de uma nuvem apareceu um homem de toga branca debruada por uma renda azul celeste. «Com que então não estás satisfeito com as regras da casa?!»

(blá blá blá... a conversa do costume)

5 comentários:

Margarida disse...

eheheheheheh!

Francisco disse...

Estás quase lá?! No arrependimento :P

ahahahahahahahahhahahahahah

João Roque disse...

Quando morreres (salvo seja) já sabes tudo; vais bem preparado...

Ribatejano disse...

Ai rapazes, que a vossa pressa é tanta.

:D

João Eduardo disse...

##
bom testo...