Este blogue tem conteúdo adulto. Quem quiser continuar é risco próprio; quem não quiser ler as parvoíces que aqui estão patentes, só tem uma solução.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Actualidade católica

Confesso que um quarto de século de João Paulo II fez com que fosse mais difícil de aceitar Bento XVI. A ligação do papa polaco a Fátima tornou-se a meu ver, uma das maiores "alianças" do ultimo século e ultrapassar esse facto foi de certo modo muito complicado para mim. Apesar de João Paulo II ter sido o terceiro papa da minha vida, foi sem dúvida aquele que mais me influenciou. Jurei para mim mesmo nunca mais esquecê-lo, pois foi o homem clerical que mais mudou o mundo recente.

Em 2010 percebi finalmente que Bento XVI não era a pessoa que os jornalistas "pintavam". Que se poderia esperar de um alemão que teve que "alinhar" com a política do seu país, mesmo que com ela não concordasse? Sempre foi e sempre será assim. Conheço pessoas que pertenceram à Mocidade Portuguesa e no entanto são extraordinárias.

Fátima, considerada por muitos o "altar do mundo", abençoou Bento XVI. Foi nesse momento que percebi que o homem com cara estranha de vestes brancas afinal era um tesouro na Igreja Católica. Muito se disse sobre as suas intervenções. Disse o que tinha a dizer e ainda bem que o fez, pois mostrou que a Igreja Católica está ao nível de todas as outras, especialmente as mais radicais. Não se pode dizer o que quer que seja sobre o Alcorão, mas pode-se atacar a Bíblia à vontade? E quantos não fazem fortuna à conta dela?

Escândalos sempre existiram e foram cometidos muitos erros no passado. Afinal, esta Igreja é constituída por homens. E os homens não são perfeitos, porque se o fossem talvez o mundo já tivesse terminado de vez. E Bento XVI teve que gerir a situação. Tal como se fosse qualquer outro chefe de estado que tenha herdado suspeitas de corrupção e crimes imperdoáveis.

A necessidade de se escolher um papa com alguma rapidez após o falecimento de João Paulo II, ditou o destino de um pensador já de idade avançada. Dizem por aí que a seguir a um bom papa vem normalmente um mais fraquito. Essa ideia falhou com João XXIII e com Bento XVI, que foram realmente pessoas que muito mudaram no topo da Igreja Católica. Muitos dirão que foi pouco, mas já diz o velho ditado "Roma e Pavia não se fizeram em um dia".

Bento XVI ficará na história como um papa que soube quais as suas limitações, principalmente físicas e exigentes para os dias de hoje, que resignou para o bem de tão importante instituição universal. Não esperamos que um homem de 86 anos ande a jogar ténis ou a fazer maratonas, mas esperamos sim que possa ter a força necessária para levantar a mão e dar um murro na mesa, se necessário.

Esperei até hoje para comentar aqui este assunto, pois só agora me sinto livre para o fazer. Fechou-se um ciclo na Igreja Católica, em breve outro se iniciará. Não espero que o próximo papa faça tudo o que considero correcto, espero sim que tome decisões que melhor reumam o consenso de todos. Pois o papa não está lá para nos agradar, está lá para nos ensinar que o mundo pode ser melhor, mesmo que para isso se demore mais do que esperamos.

Obrigado Bento XVI.

8 comentários:

João Roque disse...

Gostei da tua análise, embora discorde dela em bastantes coisas.
Já vi passarem pelo Vaticano vários Papas e realmente só gostei de um: João XXIII, um Papa maravilhoso.
De resto, um Pio XII muito controverso, embora eu fosse muito novito, um Paulo VI muito político, um João Paulo I, que poderia ter dado um bom Papa se o não ticessem assassinado, um João Paulo II, bondoso, sim, mas completamente retrógrado, como Bento XVI, que foi tão ou mais retrógrado que ele, mais intelectual e cujo pontifício fica ligado a numerosos escândalos, até na sua própria pessoa, e que são de certa forma a principal causa da sua red«sinação.

Ribatejano disse...

Ai que mauzinho. lol

São pontos de vista diferentes, mas como tens mais experiência que eu vou confiar nas tuas palavras. Ok ok, não na totalidade.

Abraço e sê bem vindo!

Francisco disse...

Bem verdade, não podes falar do Corão, nem de todas as outras igrejas...

Só se pode atacar aquela que te diz "Ama o teu próximo como a ti mesmo", isso dá segurança quando se fala em Amor e quando te derem um murro, "Dá a outra face"...

Também dou a minha opinião sobre a Igreja(É a única que aceita opiniões)

Para mim, este Papa disse algumas coisa "erradas", como não usar o preservativo, não concordar com o Casamento entre Gays e por fim as figuras do presépio...

A igreja também só admitiu há poucos anos que a Terra é que andava à volta do Sol. Eu estudei isto na escola e a Igreja ainda não tinha reconhecido tal facto...

Abraço amigo

Ribatejano disse...

Disseste uma grande verdade Francisco, a Igreja Católica é a única que não provoca uma guerra cada vez que recebe um comentário, mesmo quando o mesmo é totalmente descabido de fundamento.

Existem alguns assuntos que não cabe ao papa dar a sua opinião. Existem dogmas e muitas opiniões e não cabe ao papa criar contradições desnecessárias.

Francisco, a Igreja Católica diz muitas coisas que eu também não sigo, como a confissão, a comunhão, a participação na vida da comunidade. Não preciso que o papa me diga se devo ou não usar o preservativo.

É a terra que anda em redor do sol?! Pah as coisas que tu sabes.

sad eyes disse...

À margem das questões religiosas e institucionais, que ignoro por completo, depois de um lider marcante o seguinte terá dificuldade em se-lo. Meio século de liderança foi muito tempo.
Abc

Ribatejano disse...

sad eyes

Foi exactamente isso que eu escrevi, mas as excepções aconteceram.

um coelho disse...

O Papa Alemão não me convenceu. Cresci e fiz todo o percurso católico com o Papa João Paulo II no Vaticano, a apesar de mais tarde ter percebido a sua postura retrógrada, tinha-lhe grande apreço.
Vamos a ver o que nos reserva o Papa Francisco. A fé, já a perdi, mas reconheço-o como um líder. Não meu, mas um líder.

Ribatejano disse...

coelho

Eu acho que a fé nunca se perde, apenas se desvanece. E eu já tive provas disso.