... 2013
Este blogue tem conteúdo adulto. Quem quiser continuar é risco próprio; quem não quiser ler as parvoíces que aqui estão patentes, só tem uma solução.
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
domingo, 29 de dezembro de 2013
2013 a acabar
Pensei fazer um resumo do que de bom e mau aconteceu neste ano que está quase a terminar. Porém, como sou um pouco esquecido, o mais certo é não referir algumas das coisas que me aconteceram.
O ano começou com desgraças meteorológicas, afectando quase todo o país, em especial aqui a zona Oeste. Não foi a falta de electricidade que me marcou, mas de certo modo teve algo a ver com o "corte", um dos momentos mais marcantes que vivi.
O resto do ano foi praticamente igual. Diferente talvez a minha vontade de fazer praia, uma novidade na minha vida. Dois dias durante o verão, alguns já fora dele. O mar é presença constante na minha vida. Um ribatejano que não vive sem o mar (rsrsrs) é algo interessante, dirão alguns.
Não vou referir aqui os acontecimentos nacionais mais importantes, mas não posso esquecer a eleição de um novo papa, as mortes da Thatcher, do Mandela e de mais algumas personalidades de outras áreas. A crise que nos acompanha e que teima não nos deixar viver mais desafogadamente, a austeridade que está no pensamento diário, as contas que parecem aumentar e os recursos mais parcos.
Novos objectivos são traçados para o ano que se avizinha. A saúde está em primeiro lugar, já é tempo de me preocupar verdadeiramente enquanto posso, pois atingirei a idade em que tudo o que entra demorará mais a sair. Quero mesmo aprender a tocar guitarra, preciso de um passatempo que me afaste um pouco mais da televisão e até da internet; a par quero também apostar na leitura, pois é hora de poder discutir os assuntos que os outros também discutem e é nos livros que se encontram os melhores temas.
Quero continuar a apostar na amizade, pois é nesse campo que por vezes tenho alguma dificuldade. Abrir o espectro de amizades é assim uma forma de melhor aproveitar o tempo que me resta. "Amigo verdadeiro vale mais que o dinheiro."
Outros objectivos estão na "calha", mas esses estão reservados unicamente às páginas dos meus escritos mais secretos. Pode ser que um dia sejam revelados. Como dizia o outro, "às vezes é necessário manter o suspense e o segredo".
Resta-me apenas desejar um ano cheio de conquistas a quem inadvertidamente por aqui passa. Voltem sempre que quiserem, pois este espaço é aberto e é sempre bem vindo quem vier por bem. Um abraço especial ao meu blogue, para que continue a ser a companhia de que tanto gosto.
PS: Um abraço especial para o amigo Pinguim que me proporcionou um jantar de blogues, um dos momentos que realmente não poderei esquecer em 2013. Obrigado e que toda a felicidade te atinja em 2014!
O ano começou com desgraças meteorológicas, afectando quase todo o país, em especial aqui a zona Oeste. Não foi a falta de electricidade que me marcou, mas de certo modo teve algo a ver com o "corte", um dos momentos mais marcantes que vivi.
O resto do ano foi praticamente igual. Diferente talvez a minha vontade de fazer praia, uma novidade na minha vida. Dois dias durante o verão, alguns já fora dele. O mar é presença constante na minha vida. Um ribatejano que não vive sem o mar (rsrsrs) é algo interessante, dirão alguns.
Não vou referir aqui os acontecimentos nacionais mais importantes, mas não posso esquecer a eleição de um novo papa, as mortes da Thatcher, do Mandela e de mais algumas personalidades de outras áreas. A crise que nos acompanha e que teima não nos deixar viver mais desafogadamente, a austeridade que está no pensamento diário, as contas que parecem aumentar e os recursos mais parcos.
Novos objectivos são traçados para o ano que se avizinha. A saúde está em primeiro lugar, já é tempo de me preocupar verdadeiramente enquanto posso, pois atingirei a idade em que tudo o que entra demorará mais a sair. Quero mesmo aprender a tocar guitarra, preciso de um passatempo que me afaste um pouco mais da televisão e até da internet; a par quero também apostar na leitura, pois é hora de poder discutir os assuntos que os outros também discutem e é nos livros que se encontram os melhores temas.
Quero continuar a apostar na amizade, pois é nesse campo que por vezes tenho alguma dificuldade. Abrir o espectro de amizades é assim uma forma de melhor aproveitar o tempo que me resta. "Amigo verdadeiro vale mais que o dinheiro."
Outros objectivos estão na "calha", mas esses estão reservados unicamente às páginas dos meus escritos mais secretos. Pode ser que um dia sejam revelados. Como dizia o outro, "às vezes é necessário manter o suspense e o segredo".
Resta-me apenas desejar um ano cheio de conquistas a quem inadvertidamente por aqui passa. Voltem sempre que quiserem, pois este espaço é aberto e é sempre bem vindo quem vier por bem. Um abraço especial ao meu blogue, para que continue a ser a companhia de que tanto gosto.
PS: Um abraço especial para o amigo Pinguim que me proporcionou um jantar de blogues, um dos momentos que realmente não poderei esquecer em 2013. Obrigado e que toda a felicidade te atinja em 2014!
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Mitos
Com muita força de vontade os raios solares trespassaram a espessa camada de nuvens que cobria o céu. Quando tocaram a superfície da água espalharam-se e o mar, como que a gostar daquele calor, acalmou a fúria das ondas.
Aos poucos aquela mancha de luz reflectida foi-se aproximando e com ela sons que me enfeitiçaram a alma, fazendo-me cair num sonho e esquecer o mundo em redor.
Os sons não eram mais que o canto de duas sereias, que a partir do mar, lançavam em minha direcção. Fui totalmente enfeitiçado, já nem sentia o meu corpo, nem o frio que o vento transportava e flagelava todas as pequenas áreas de pele expostas, que a roupa não tapava.
Deixei-me ir ao som de tal encanto, como se toda a minha vontade tivesse sido roubada. Abri porém os olhos e deparei-me com o abismo, mais um passo e fundir-me-ia com as ondas do mar.
As sereias quando perceberam que as linhas do encanto tinham sido quebradas, pararam de cantar. Foi então que os raios solares começaram a perder as forças e uma vez mais as nuvens ameaçaram o céu. As sereias partiram e aos poucos a luz. Ganhou uma vez mais a força das nuvens e só então entendi que o abismo não é uma solução, mas apenas um atalho, em que o resultado final é unicamente uma triste e simples gota salgada.
Hoje, junto ao mar (16:53h)
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Aviso
Este blogue vai entrar em modo "festividade".
Desejo a todos os crentes boas festas.
Para os restantes fica a humilde opinião que é preferível acreditar no desconhecido que ficar apenas a gozar das delícias da época.
Olarecas
Desejo a todos os crentes boas festas.
Para os restantes fica a humilde opinião que é preferível acreditar no desconhecido que ficar apenas a gozar das delícias da época.
Olarecas
domingo, 22 de dezembro de 2013
Um verdadeiro artista
Cresci a ouvir boatos sobre um humorista português cujo maior feito foi ter dado uma cara nova à comédia televisiva em Portugal. É certo que nunca gostei muito de algumas das personagens criadas, mas são a meu ver como "marcos históricos" que ainda são relembrados nos dias de hoje. "O tal canal" fica sem sombra de dúvida nas minhas memórias de criança, não por gostar mas sim porque era o programa que o então Canal 1 da RTP nos enfiava em casa todos os sábados à noite.
Comecei a apreciar o trabalho do Herman José já após a segunda metade da década de noventa, do século passado (é giro referir-me ao século XX), quando rumei a Coimbra para me formar na profissão que hoje exerço, felizmente. Na altura o programa em voga era o "Herman Enciclopédia", programa seguido religiosamente pelos meus colegas de casa, à terça-feira, se a memória não me falha. Foi um programa realmente marcante, ainda por cima com a companhia de brilhantes actores, infelizmente alguns já deixaram a existência terrestre, ficando porém na minha base de dados mental.
Seguiu-se o "Herman 97" em que a comédia aliada à entrevista passou a ser, no meu entender, um casamento perfeito. Era um formato já muito explorado noutros países e foi sem sombra de dúvidas muito bem integrado na nossa cultura televisiva e com boa escolha na apresentação. Quanto à apresentação, recordo um programa que em tempos deu na RTP 2 em que precisamente o Herman José fazia entrevistas, porém deixando de fora o seu lado normalmente humorístico. Comprovou assim a sua versatilidade enquanto actor, apresentador, personagem televisiva.
Não vou referir a sua passagem pela SIC, que reconheço ter começado muito bem, tendo-se estragado com a necessidade de de criar audiência. Ficam porém alguns (bastantes) bons momentos televisivos, infelizmente alguns de fraca qualidade, claro que não era intencional por parte do apresentador mas sim da direcção de programação.
A volta à RTP fez mexer um pouco com o homem que muito mal disse da televisão pública e que o próprio reconheceu numa entrevista na altura. Não foi culpa sua na totalidade, mas há sempre a necessidade de se ser comedido nestas coisas, pois nunca se sabe quando uma porta se fecha e a única que resta é aquela por onde se saiu. Há que se ser humilde em tudo na vida, excepto naquilo que se faz bem.
Ontem no programa "Alta Definição" da SIC, tão bem apresentado pelo jornalista/apresentador Daniel Oliveira, o entrevistado era o Herman José. Apanhei a entrevista já com o humorista a falar dos últimos momentos de vida terrena do seu pai. Mas não é deste momento que recordo, mas sim de outros que me marcaram, não pelo seu lado humorista que sempre o acompanha, mas pelo seu lado sério. Podem dizer o que bem entenderem deste senhor de 60 anos, mas a verdade é que aprendeu com a vida e aproveitou bem o que aprendeu (digo eu que sou apenas um espectador).
Herman José consegue manter a sua vida privada longe das câmaras e das revistas. Aquele momento em 2003 foi apenas um momento, que foi devidamente curado, tal como o mesmo referiu. Foi a meu ver metido num processo só porque a sua vida íntima é desconhecida. O mais triste é ser quem tanto o aplaude que acabe por não o aceitar verdadeiramente como um normal português.
Já dizia o Diácono Remédios
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Ramiro
Ramiro era louco por minhocas. Enquanto fosse dia, o jovem galo, andava constantemente de cabeça para baixo em busca daqueles insectos gelatinosos de tão bom sabor. Preferia as azuis, as mais raras e por isso mais valiosas.
Apesar de seu porte de respeito e das penas multicoloridas que brilhavam ao sol, as minhocas, distraídas por natureza, nunca davam pelo galito. Já era tarde demais quando o bico fazia pontaria à sua presa.
Os galos mais velhos, em especial o chefe do galinheiro que tanta inveja sentia pela beleza do novato e que sabia bem ser o seu sucessor natural, andavam sempre a avisá-lo para não andar sempre de cabeça para baixo. Não teria sempre a sorte da vigia do céu por parte dos colegas, já que era precisamente do céu que o maior perigo descia, uma águia real, que tinha fugido de um circo que em tempos passara na aldeia e que agora assombrava todo o vale.
Certo dia Ramiro, na sua azáfama tão habitual, decidiu que aquele dia seria diferente, pois o objectivo era caçar uma minhoca azul, daquelas que já não encontrava à bastante tempo. Tinha esgravatado todo o quintal e nada, optando por se aventurar além fronteira, invadindo um descampado vizinho, terreno novo, totalmente desconhecido.
Finalmente encontrou a maior e mais gordinha minhoca azul de sempre. Seria um verdadeiro banquete naquela tarde, um festim, a inveja de todos os que tinham ficado no galinheiro. Porém aquela minhoca não era um insecto qualquer. Era um espécime conhecedor de várias línguas e dominava bem o dialecto do seu caçador. E mais ágil também, escapando diversas vezes às investidas do bico agressor, um desafio tentador para Ramiro.
"Não me comas Ramiro." - disse-lhe deixando o bicho abismado, por ser conhecido daquele lado da cerca - "Nunca se sabe quando precisarás de mim."
"E que pode uma deliciosa minhoca azul fazer por mim?" - questionou o galito.
"Posso por exemplo avisar-te que neste preciso momento em que me tentas bicar, a águia que patrulha o céu já te faz pontaria e possivelmente já não te safas."
Apesar de desconfiado, lembrou-se dos conselhos dos galos velhos. Por instinto deu um pulo em frente, escapando às garras da ave de rapina por a distância correspondente ao tamanho de uma minhoca verde.
Ramiro safou-se à conta do aviso daquela minhoca azul. Agradeceu e partiu, deixando-a viver. A partir daquele dia passou a ser mais atento ao perigo vindo do céu, não perdendo porém o vício por minhocas, deixando de procurar minhocas azuis e fixando-se especialmente em minhocas verdes. Afinal as azuis já não habitavam no seu quintal e necessidade não havia de correr perigos noutras paragens.
Moral da história: Vale mais uma minhoca azul que um galo vistoso distraído.
Ou
Uma minhoca deliciosa não vale o ataque de um inimigo.
Tomaaaa...
18 de Dezembro de 2013 (8:30 - 9:00)
Apesar de seu porte de respeito e das penas multicoloridas que brilhavam ao sol, as minhocas, distraídas por natureza, nunca davam pelo galito. Já era tarde demais quando o bico fazia pontaria à sua presa.
Os galos mais velhos, em especial o chefe do galinheiro que tanta inveja sentia pela beleza do novato e que sabia bem ser o seu sucessor natural, andavam sempre a avisá-lo para não andar sempre de cabeça para baixo. Não teria sempre a sorte da vigia do céu por parte dos colegas, já que era precisamente do céu que o maior perigo descia, uma águia real, que tinha fugido de um circo que em tempos passara na aldeia e que agora assombrava todo o vale.
Certo dia Ramiro, na sua azáfama tão habitual, decidiu que aquele dia seria diferente, pois o objectivo era caçar uma minhoca azul, daquelas que já não encontrava à bastante tempo. Tinha esgravatado todo o quintal e nada, optando por se aventurar além fronteira, invadindo um descampado vizinho, terreno novo, totalmente desconhecido.
Finalmente encontrou a maior e mais gordinha minhoca azul de sempre. Seria um verdadeiro banquete naquela tarde, um festim, a inveja de todos os que tinham ficado no galinheiro. Porém aquela minhoca não era um insecto qualquer. Era um espécime conhecedor de várias línguas e dominava bem o dialecto do seu caçador. E mais ágil também, escapando diversas vezes às investidas do bico agressor, um desafio tentador para Ramiro.
"Não me comas Ramiro." - disse-lhe deixando o bicho abismado, por ser conhecido daquele lado da cerca - "Nunca se sabe quando precisarás de mim."
"E que pode uma deliciosa minhoca azul fazer por mim?" - questionou o galito.
"Posso por exemplo avisar-te que neste preciso momento em que me tentas bicar, a águia que patrulha o céu já te faz pontaria e possivelmente já não te safas."
Apesar de desconfiado, lembrou-se dos conselhos dos galos velhos. Por instinto deu um pulo em frente, escapando às garras da ave de rapina por a distância correspondente ao tamanho de uma minhoca verde.
Ramiro safou-se à conta do aviso daquela minhoca azul. Agradeceu e partiu, deixando-a viver. A partir daquele dia passou a ser mais atento ao perigo vindo do céu, não perdendo porém o vício por minhocas, deixando de procurar minhocas azuis e fixando-se especialmente em minhocas verdes. Afinal as azuis já não habitavam no seu quintal e necessidade não havia de correr perigos noutras paragens.
Moral da história: Vale mais uma minhoca azul que um galo vistoso distraído.
Ou
Uma minhoca deliciosa não vale o ataque de um inimigo.
Tomaaaa...
18 de Dezembro de 2013 (8:30 - 9:00)
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Memória de outro tempo - António Aleixo
Se existe poeta popular que esteja no pódio dos meus favoritos é sem dúvida o António Aleixo. Foi com ele que aprendi em tempos o prazer de criar poesias. Uma pessoa de tão poucos estudos ensinou-me mais do que muitos professores de português.
Ao ler os versos que deixou escritos, quantas vezes tão actuais, ainda me fascino. Algumas das minhas composições que por opinião própria são as mais complexas, vêm da inspiração que o poeta popular de Vila Real de Santo António despertou na minha cabeça.
Foi com o António Aleixo que comecei a criar em tempo poemas com "mote" e "glosas". E foi com algumas das melhores quadras do Aleixo que transformei em mote que construí as melhores dedicatórias a esse grande poeta.
Mote
Ser artista é ser alguém!
Que bonito é ser artista...
Ver as coisas mais além
Do que alcança a nossa vista!
António Aleixo
Glosas
Nem só o trabalhador
Pode ter identidade
Porque a igualdade
Foi-nos dada pelo criador.
É com um pouco de dor
Se um dia a mim vem
E diz que sou ninguém;
Só o diz por ter inveja,
Pois não há ninguém que não veja
Que ser artista é ser alguém!
É bonito ser doutor
Também o é ser engenheiro
Ou até ser pedreiro
Ou mesmo lavrador.
Desde o alpinista
Ao pianista
É bonita qualquer profissão,
Pois sabe o parvo ou o sabichão
Que bonito é ser artista.
É bom ver a luz que alumia
Ver o real e o imaginário
Ver o bom e o ordinário.
Tal como o mestre da astrologia
Que prefere a noite ao dia,
Para ver bem
As surpresas que o céu tem,
Também o artista
Usa o seu ponto de vista
Para ver as coisas mais além.
O artista, vê de tudo
O que aprende por sua mão
Tal como o cego com a escuridão
E o surdo com o mudo;
Ver as coisas do mundo.
E não ser egoísta
Como não o é o artista
Ou o poeta também,
Que vêem as coisa mais além
Do que alcança a nossa vista!
Maio/Junho de 1998
Na realidade a métrica não está grande coisa, mas este foi apenas o segundo poema escrito com décimas (estrofes de 10 versos). Mesmo assim foi uma grande novidade na minha poesia da altura. O texto em si parece também não fazer grande sentido para que o leia pela primeira vez, também o é para mim já que o passei directamente do rascunho e não transcrevi a versão final que não tenho aqui comigo no momento. Essa sim, tem um outro efeito final.
Ao António Aleixo devo quase mais de 15 anos de poesia. Sem esse grande mentor eu seria apenas mais um poeta incógnito. É certo que me mantenho incógnito, mas pelo menos um pouco mais versado. (rsrsrs)
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