Este blogue tem conteúdo adulto. Quem quiser continuar é risco próprio; quem não quiser ler as parvoíces que aqui estão patentes, só tem uma solução.
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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Sons do campo

É estranho, já não ouço o relógio da capela a tocar durante a noite. Consequência de uma lei que se esqueceu da importância de tal dispositivo no meio rural.


A capela vai ainda sendo, sem qualquer sombra de dúvida, um dos mais importantes elementos sociais dos pequenos centros rurais. Não se trata apenas de um lugar de culto. É acima de tudo um espaço social.

O toque do relógio sempre foi um elemento crucial. No meio da lavoura, era o som do martelo a bater no sino, que ordenava o início, pausas e fim do dia de trabalho. O relógio sempre foi companhia nos tempos de solidão. É a certeza da hora certa. A união entre todos.

Hoje os relógios povoam os pulsos de todos, tal como os telemóveis, computadores e outros dispositivos modernos. Sempre gostei de ouvir o toque durante a noite. O silêncio é mais desconcertante, faz-me sentir mais só, aumentando a nostalgia de outros tempos.


As leis dos homens são muitas vezes implacáveis, pois esquecem que, apesar do país ser pequeno, as diferenças existem. A vida da grande cidade impõe silêncios. A vida do resto do país implora compreensão. E o silêncio no meio rural não é bom presságio.


(texto original escrito logo a seguir ao anterior publicado)



quarta-feira, 5 de junho de 2013

A primeira vez

Devia ter os meus 14 anos. Foi em casa que experimentei de novo. Tinha tentado anos antes mas não consegui pelo que me sentia algo inseguro. Era mais velho que eu mas eu gostava e era o que estava à disposição.

Achei que seria a altura ideal para dar o grande passo. Saí de casa e olhei a rua. Tomei coragem e avancei. As primeiras tentativas foram algo estranhas mas depois habituei-me. Houve lágrimas, sangue, dor. Mas de uma vez por todas fui até ao fim e aguentei-me bem.

Desde então não parei. Andar de bicicleta é sem dúvida um dos meus passatempos favoritos.