Vasculho o que já escrevi ao longo dos anos e acabo por descobrir que a maior colecção são os textos inacabados. Acho que se tornou o passatempo que nunca imaginei ter. Velhos poemas e contos começados vinte anos atrás acumulam-se com outros mais recentes. Acumulam-se é forma de dizer, pois tenho tantas coisas espalhadas que por vezes lhes perco o norte.
Recentemente tive a oportunidade de acabar uns textos que foram iniciados ainda no século passado. Acho que até ficaram bons, pois nota-se a diferença de escrita. O facto de eu estar mais crescido. Curiosamente acabei por lhes dar o fim inicialmente pretendido. A minha memória ainda se lembra de algumas coisas.
Mesmo aqui no computador os escritos inacabados já se vão acumulando. Alguns porque acabo por me entusiasmar e escrevo mais do que devia, indo por caminhos tão dispersos que depois não consigo dar-lhes o fim que já destinei. Outros porque o fim não aparece. E cá ficam à espera que eu pegue de novo no assunto e lhes dê o fim digno que merecem.
Preguiça dizem alguns. Amadurecimento, digo eu.