Acordo cedo e meio levantado olho pela janela e aprecio o céu. Está limpo e raios solares invadem o quarto, passando pelo espaço que o cortinado deixa disponível. Visto o equipamento, preparo o pequeno-almoço, a bebida energética. Calço as sapatilhas, fecho a fivela do capacete, envolvo as mãos em álcool e enfio-as dentro das luvas. Coloco o conta quilómetros a zeros e inicio a aventura de domingo.
Não sei porquê mas a minha imaginação nem sempre funciona como eu bem quero. Talvez a rotina diária seja a culpada, invadindo todos os espaços livres do cérebro, comandando os meus movimentos e as minhas vontades. Comecei a escrever uma das histórias mais interessantes, parei porém, não por falta de enredo, simplesmente parei. Anseio a vontade de continuar tão grande empresa, talvez o faça em breve.
Escolho caminhos conhecidos. Passo pela cidade e vejo o pouco movimentada que está. Pouco passam das oito da manhã e à excepção de alguns madrugadores que como eu aproveitam para esticar os músculos, todos ficam na cama até mais tarde. O meu organismo ainda se lembra que as dificuldades do terreno se ultrapassam com alguma destreza, como se eu nem precisasse de dar a ordem ou tomar a decisão mais acertada.
As semanas são sempre iguais. De casa segue-se para o trabalho. Almoço. Trabalho. Volto a casa, passando para comprar pão ou para ver as novidades na loja de bricolagem que está disponível, comparo preços e acabo por sair com uma coisa qualquer, algo que será utilizável um dia. O meu companheiro de quatro patas surge ao portão, saltita e ladra, como se eu tivesse voltado de uma viagem de vários dias. Faço-lhe as festas possíveis, lanço-lhe dois ou três piropos e entro em casa. O refúgio.
A nascente do rio está seca, sinal que o inverno ainda tarda. Resta-lhe as fontes que mais abaixo o alimentam e que o transformam numa estrada aquática, para patos. Atravesso-o e embrenho-me entre os eucaliptos que povoam os arredores. A partir dali é um constante subir e descer, caminhos que me fazem sentir ainda mais aventureiro. Não sigo por trilhos complicados, mas não me nego a alguma dificuldade. Um motociclista passa por mim, talvez perguntando-se o que faz uma bicicleta num trilho de motas.
Não vale a pena os senhores lá do palácio imporem o fim às tradições, contínuo a cumpri-la escrupulosamente. O Dia de Todos os Santos é passado em família, a que resta. Já não há "Pão Por Deus", porque já não devem haver pobres ou porque já ninguém se dá ao trabalho de perder tempo a enfornar tabuleiros de broas. Optamos por sair, comprar as flores e ir ao cemitério visitar os entes queridos, almoçar fora e ver o mar.
Ao fundo está a cidade, aquela onde cresci. Do sítio onde me encontro parece apenas um conjunto de blocos no fundo do vale. Até lá o verde da floresta e ao fundo a serra. Aprecio a paisagem que já quase não tem nada de natural. Antes onde haviam campos a perder de vista são agora fileiras de eucaliptos, a única árvore que ainda representa algum dividendo aos proprietários. Não sou completamente contra, já que assim existe alguma preocupação em manter a floresta limpa. Sou ambientalista mas como dizia um falecido historiador, podemos bem equilibrar o ambiente e as necessidades humanas.
Parece que o outono se instalou finalmente, tal e qual me lembro dele nos tempos de miúdo. Dias a chover. Frio. Trovoada. Parece que volto atrás e me lembro do fascínio que tinha ao ver a onda a descer a estrada, entrando em seguida nas valetas. O vento vergava as árvores lá no outeiro. O fumo das chaminés seguia direcções várias, sempre acompanhando o sopro do céu.
Já estou perto de casa, basta mais um esforço para percorrer o quilómetro mais complicado - o final. O branco das paredes que no verão reflectem a luz do sol já se vê. A garrafa de bebida energética já se encontra quase vazia. Só faltam mais umas pedaladas. Acabou. Arrumo a montada, tiro o equipamento suado e entro no chuveiro. Mais uma manhã de domingo bem passada.
Este blogue tem conteúdo adulto. Quem quiser continuar é risco próprio; quem não quiser ler as parvoíces que aqui estão patentes, só tem uma solução.
terça-feira, 4 de novembro de 2014
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Digital
Recordei este fim-de-semana na RTP memória um programa de 1986 apresentado pelo saudoso Artur Agostinho, de seu nome Quem te viu e quem TV. Homenageava um dos melhores autores e cantores que conheço, de seu nome Maximiliano Sousa, o Max, através de imagens de um programa em que participou em 1959, apresentado na altura pelo Jorge Alves. Max nasceu na Madeira e morreu no continente no ano de 1980.
O seu estilo inconfundível tornou Max um ícone na cultura portuguesa. Alfaiate de profissão e artista de vocação, cedo decidiu que era no continente que estava o seu futuro artístico. Fez furor em Portugal e sucesso na América para onde partiu em 1957 para uma turné de cinco anos, interrompida por um problema cardíaco que o fez retornar a Lisboa dois anos depois.
É claro que não vou falar mais do Max, criador de sucessos como a "Mula da Cooperativa", "Porto Santo", o "31" e tantas outras músicas que me ficam na memória, já que felizmente existe quem não deixe morrer a sua memória e o perpétue neste mundo virtual que é a internet.
Lembrei o Max, porque me lembrei do que hoje seriam dezenas de artistas portugueses, neste mundo da informação. Os sucessos já não de fazem nas rádios ou nos discos de vinil. Hoje faz-se tudo na internet, no youtube, no facebook, etc. Porém não posso deixar de apreciar o tempo do preto e branco, onde muito de bom se fez na televisão, apesar das ordens da "velha senhora", que com o seu lápis azul tudo controlava.
Tenho pena que a era digital não tenha aparecido no nosso Portugal mais cedo. Hoje as máquinas fotográficas têm o tamanho de um telemóvel e já nem usam rolo, o que fazia da fotografia um luxo a que muitos não podiam chegar. Basta agora um simples cabo de dados para passar as imagens para um computador e arquivá-las onde bem entendemos.
Apesar de me dizerem o contrário não me acho fotogénico, mas gostaria realmente de ter fotografado alguns momentos da minha vida, especialmente no meu tempo de estudante universitário. Restam-me meia dúzia de fotos que a custo lá conseguiram fazer-me posar para elas.
A primeira máquina fotográfica digital comprei-a já neste século e ainda a tenho algures, guardada numa gaveta qualquer ou numa prateleira a ganhar pó. É um aparelho muito básico mas já dá para escolher a resolução, reduzindo porém o espaço disponível na memória interna, já que externa é uma miragem naquele modelo. Agora utilizo a do telemóvel, aliás acabo por o utilizar mais como máquina fotográfica do que como aparelho para fazer chamadas, certamente não serei o único.
Imagino o que seria voltar atrás no tempo e tirar fotografias a alguns ídolos que gostava de ter conhecido. O Max é claramente um deles, mas não posso de deixar de referir a Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro, a saudosa Hermínia Silva de que sou um grande fã, o Vasco Santana e o Ribeirinho, sem esquecer o António Silva e tantos outros que ficaram lá atrás e que são memórias apenas. Enfim, sonhos que nunca serão cumpridos, a não ser que consiga inventar uma máquina do tempo, o que acho totalmente improvável.
O seu estilo inconfundível tornou Max um ícone na cultura portuguesa. Alfaiate de profissão e artista de vocação, cedo decidiu que era no continente que estava o seu futuro artístico. Fez furor em Portugal e sucesso na América para onde partiu em 1957 para uma turné de cinco anos, interrompida por um problema cardíaco que o fez retornar a Lisboa dois anos depois.
É claro que não vou falar mais do Max, criador de sucessos como a "Mula da Cooperativa", "Porto Santo", o "31" e tantas outras músicas que me ficam na memória, já que felizmente existe quem não deixe morrer a sua memória e o perpétue neste mundo virtual que é a internet.
Lembrei o Max, porque me lembrei do que hoje seriam dezenas de artistas portugueses, neste mundo da informação. Os sucessos já não de fazem nas rádios ou nos discos de vinil. Hoje faz-se tudo na internet, no youtube, no facebook, etc. Porém não posso deixar de apreciar o tempo do preto e branco, onde muito de bom se fez na televisão, apesar das ordens da "velha senhora", que com o seu lápis azul tudo controlava.
Tenho pena que a era digital não tenha aparecido no nosso Portugal mais cedo. Hoje as máquinas fotográficas têm o tamanho de um telemóvel e já nem usam rolo, o que fazia da fotografia um luxo a que muitos não podiam chegar. Basta agora um simples cabo de dados para passar as imagens para um computador e arquivá-las onde bem entendemos.
Apesar de me dizerem o contrário não me acho fotogénico, mas gostaria realmente de ter fotografado alguns momentos da minha vida, especialmente no meu tempo de estudante universitário. Restam-me meia dúzia de fotos que a custo lá conseguiram fazer-me posar para elas.
A primeira máquina fotográfica digital comprei-a já neste século e ainda a tenho algures, guardada numa gaveta qualquer ou numa prateleira a ganhar pó. É um aparelho muito básico mas já dá para escolher a resolução, reduzindo porém o espaço disponível na memória interna, já que externa é uma miragem naquele modelo. Agora utilizo a do telemóvel, aliás acabo por o utilizar mais como máquina fotográfica do que como aparelho para fazer chamadas, certamente não serei o único.
Imagino o que seria voltar atrás no tempo e tirar fotografias a alguns ídolos que gostava de ter conhecido. O Max é claramente um deles, mas não posso de deixar de referir a Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro, a saudosa Hermínia Silva de que sou um grande fã, o Vasco Santana e o Ribeirinho, sem esquecer o António Silva e tantos outros que ficaram lá atrás e que são memórias apenas. Enfim, sonhos que nunca serão cumpridos, a não ser que consiga inventar uma máquina do tempo, o que acho totalmente improvável.
Livro
Depois de muita insistência por parte de alguns mais atentos deste espaço, resolvi escrever um livro. Ou melhor, tentar escrever já que não tenho a presunção imediata de o conseguir terminar. A verdade é que o primeiro capítulo já está escrito e espero que os restantes saiam com alguma rapidez.
Ao contrário do que eu julguei, escrever uma obra completa dá muito mais trabalho, já que pela primeira vez vou fazê-lo para um público, mesmo que, não saia sequer do papel para o mundo. Sim, estou a escrevê-lo à mão, pois é desta forma que me sinto mais concentrado.
Não sei como os outros escritores fazem mas eu já tenho tema, o elenco, o desenvolvimento e o final idealizado. Falta porém passar para o papel as ideias e arrumá-las, contando com a experiência de alguns autores que li recentemente e que considero modelos interessantes a seguir.
Pela primeira vez fiz alguma pesquisa, facto que altera a velocidade normal da minha escrita, o que introduzirá referências históricas exactas de um passado recente. Confesso que "Ilha de Metarica - memórias da guerra colonial" acabou por se tornar fonte de inspiração e posso avançar que a história que estou a escrever tem também como pano de fundo o continente africano.
Deixo dois excertos, pode ser que agucem curiosidades ou que me tragam novas ideias ao vê-los publicados.
"António era homem repeitado na pequena aldeia... situada na Cova da Beira... Não se lhe conhecia outra ambição além do seu desejo persistente em proporcional a educação necessária aos três filhos, que os afastasse daquela vida de tanto trabalho e tão poucos proveitos."
"No mesmo ano que António fora mobilizado para o Ultramar já Francisco Amado por lá andava. Sargento, militar de carreira...mas era conhecido o seu interesse por Babetida, mulher da tribo balanta que se perdeu de amores pelo homem branco..."
Ao contrário do que eu julguei, escrever uma obra completa dá muito mais trabalho, já que pela primeira vez vou fazê-lo para um público, mesmo que, não saia sequer do papel para o mundo. Sim, estou a escrevê-lo à mão, pois é desta forma que me sinto mais concentrado.
Não sei como os outros escritores fazem mas eu já tenho tema, o elenco, o desenvolvimento e o final idealizado. Falta porém passar para o papel as ideias e arrumá-las, contando com a experiência de alguns autores que li recentemente e que considero modelos interessantes a seguir.
Pela primeira vez fiz alguma pesquisa, facto que altera a velocidade normal da minha escrita, o que introduzirá referências históricas exactas de um passado recente. Confesso que "Ilha de Metarica - memórias da guerra colonial" acabou por se tornar fonte de inspiração e posso avançar que a história que estou a escrever tem também como pano de fundo o continente africano.
Deixo dois excertos, pode ser que agucem curiosidades ou que me tragam novas ideias ao vê-los publicados.
"António era homem repeitado na pequena aldeia... situada na Cova da Beira... Não se lhe conhecia outra ambição além do seu desejo persistente em proporcional a educação necessária aos três filhos, que os afastasse daquela vida de tanto trabalho e tão poucos proveitos."
"No mesmo ano que António fora mobilizado para o Ultramar já Francisco Amado por lá andava. Sargento, militar de carreira...mas era conhecido o seu interesse por Babetida, mulher da tribo balanta que se perdeu de amores pelo homem branco..."
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Uno
Apagou-se a lâmpada da iluminação pública que ilumina a minha porta de entrada...
... sinal que não estás cá.
... sinal que não estás cá.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Desafio
Não sou rapaz para me entusiasmar com esses desafios que ao longo dos anos têm aparecido na blogosfera. Não que eu seja contra, mas não gosto de responder a questões que estão mais do que respondidas no meu blogue, basta que o leiam.
Fui desafiado pelo Francisco e desta vez sinto-me na obrigação de aceitar a proposta que me fez. Porém não nomearei ninguém, pois não me acho nesse direito. Tal como escrevi, nomear alguém é admitir que não acompanho o respectivo blogue e isso é algo que não pretendo fazer.
As questões são:
1. Como surgiu a ideia de criar o blogue?
Este blogue veio no seguimento de um outro que foi a minha estreia neste mundo virtual blogueiro, "diário de um desconhecido: Eu". Decidi que o blogue anterior já não teria o mesmo interesse devido à evolução natural que tive, pelo que um novo blogue, com uma cara nova seria o mais adequado para que eu não perdesse o gosto que tenho pela escrita.
2. Como surgiu o nome dado ao blogue?
Desde o início que pensei em dar um nome totalmente diferente, porém o facto de ser Ribatejano e de me ter mudado para o Oeste acabou por se tornar o nome mais que apropriado.
3. Qual a publicação que te é mais especial?
Se dissesse que todos as publicações são igualmente especiais não estaria a ser verdadeiro. A verdade é que existem algumas publicações que acabaram por ser mais desafiantes, principalmente porque sei que serão lidas (por um punhado de descuidados) e comentadas.
4. Há algum segredo relacionado com o blogue que ainda não tenha sido revelado?
Os segredos têm vindo a ser revelados aos poucos, embora eu ache que nem todos dão por isso. Acho que os segredos aparecem consoante as publicações. Mas este blogue é como as receitas mais bem guardadas, há sempre um segredo e mesmo que não haja é de melhor que os outros pensem que existe.
5. O que te entusiasma da blogosfera?
Saber que existem autores bem mais interessantes que eu, almas boas que tal como eu gostam de dar a conhecer ao mundo o que de bom lhes sai dos neurónios. Entusiasma-me ainda a minha necessidade em evoluir mais, em aprender com quem anda há mais tempo nisto e gosto de provocar as mesmas sensações em quem me acompanha e que tal como eu começou da forma básica e que vai subindo a escada da sabedoria.
Fui desafiado pelo Francisco e desta vez sinto-me na obrigação de aceitar a proposta que me fez. Porém não nomearei ninguém, pois não me acho nesse direito. Tal como escrevi, nomear alguém é admitir que não acompanho o respectivo blogue e isso é algo que não pretendo fazer.
As questões são:
1. Como surgiu a ideia de criar o blogue?
Este blogue veio no seguimento de um outro que foi a minha estreia neste mundo virtual blogueiro, "diário de um desconhecido: Eu". Decidi que o blogue anterior já não teria o mesmo interesse devido à evolução natural que tive, pelo que um novo blogue, com uma cara nova seria o mais adequado para que eu não perdesse o gosto que tenho pela escrita.
2. Como surgiu o nome dado ao blogue?
Desde o início que pensei em dar um nome totalmente diferente, porém o facto de ser Ribatejano e de me ter mudado para o Oeste acabou por se tornar o nome mais que apropriado.
3. Qual a publicação que te é mais especial?
Se dissesse que todos as publicações são igualmente especiais não estaria a ser verdadeiro. A verdade é que existem algumas publicações que acabaram por ser mais desafiantes, principalmente porque sei que serão lidas (por um punhado de descuidados) e comentadas.
4. Há algum segredo relacionado com o blogue que ainda não tenha sido revelado?
Os segredos têm vindo a ser revelados aos poucos, embora eu ache que nem todos dão por isso. Acho que os segredos aparecem consoante as publicações. Mas este blogue é como as receitas mais bem guardadas, há sempre um segredo e mesmo que não haja é de melhor que os outros pensem que existe.
5. O que te entusiasma da blogosfera?
Saber que existem autores bem mais interessantes que eu, almas boas que tal como eu gostam de dar a conhecer ao mundo o que de bom lhes sai dos neurónios. Entusiasma-me ainda a minha necessidade em evoluir mais, em aprender com quem anda há mais tempo nisto e gosto de provocar as mesmas sensações em quem me acompanha e que tal como eu começou da forma básica e que vai subindo a escada da sabedoria.
domingo, 28 de setembro de 2014
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