Este blogue tem conteúdo adulto. Quem quiser continuar é risco próprio; quem não quiser ler as parvoíces que aqui estão patentes, só tem uma solução.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Culinária

Não preciso de psicólogos ou psiquiatras, chegam-me os diversos hobbies e em especial a culinária. Não encontro melhor terapia para a minha tontice.

Estava a preparar as minhas migas (estão uma delícia) quando me lembrei de uma conversa que ouvi numa esplanada.

1ª voz - Hoje convidaram-me para trabalhar fora do país mas não aceitei.
2ª voz - Então porquê?
1ª voz - Porque não consigo viver tão longe de ti.

(silêncio)

2ª voz - E se eu fosse contigo?
1ª voz - Mesmo assim não aceitaria, pois sei que tens cá as tuas raízes e eu jamais queria que te afastasses delas.

As coisas de que me lembro enquanto preparo os meus pitéus...


domingo, 10 de novembro de 2013

deshumores

Às vezes fico mal humorado sem razão aparente.

Há quem diga que é por me esconder demasiado.

Não entendo o significado do que me dizem.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Culinária e outras estórias

Ingredientes:

5 dentes de alho
1 cebola média
meia beringela
dois tomates médios
cenouras a gosto
azeite
1 caldo de carne
água

Preparação:

Picam-se todos os ingredientes colocam-se num tacho e vai a cozer. Depois de cozido, triturar e juntar um pouco mais de água, para o creme não ficar tão grosso. Juntar feijão cozido e arroz ou massa. Deixar apurar, corrigir os temperos e não esquecer o picante, para quem apreciar. Serve-se a sopa quentinha e guarda-se a restante no frigorífico, após arrefecer.


Estava a preparar a sopa quando me lembrei do velho Pedro, Mestre Pedro como o povo lhe chamava, por ser um dos melhores marceneiros das redondezas. Do Mestre Pedro já ninguém sabia a idade, todos se tinham habituado à velha oficina de onde saiam belas peças de mobília ou outros arranjos, que o velho homem sempre desenrascava quem precisava. Nas tardes de primavera e verão a loja estava quase sempre cheia, não de clientes, mas de crianças que o ouviam a contar histórias. Não havia melhor contador de histórias, contadas vezes sem conta, há já várias gerações. Os pais das crianças tinham ouvido as mesmas histórias quando elas próprias eram petizes.

Mestre Pedro contava cada uma como se se tivesse passado no dia anterior. Gesticulava freneticamente, enquanto usava habilmente as suas ferramentas e construía as peças que seriam o seu único sustento. As histórias de África eram as mais apreciadas, mas as da sua passagem pelo circo ou as suas aventuras em terras de Sua Majestade, também caiam muito bem no goto da criançada. Contava-as como suas, embora os mais adultos, com o passar doa anos, acreditavam que eram apenas histórias, criadas por um cérebro fértil.

«Mestre Pedro... da última vez não foram só 3 leões?» - questionava um petiz mais perspicaz. Mas o velho Pedro não se engasgava e logo dizia, «Claro que disse. Mas da última vez vocês eram ainda muito novos para saberem toda a verdade. Se eu vos dissesse que tinham na realidade sido 6 leões, vocês desatavam a fugir daqui com medo.». A risada era geral.

À noite Mestre Pedro recordava as suas histórias, aquelas que tantos pensavam ser meras fantasias de um velho tonto. Mas não eram e as mais fantásticas e maravilhosas não se atrevia a contá-las ao povo. Pedro recordava aquele tempo em que, com apenas 14 anos de idade, tinha passado na selva africana. Umas férias inesquecíveis, passadas em conjunto com outros jovens da mesma idade e outros um pouco mais velhos. Todos filhos de homens ligados às minas, que gozavam de umas férias normalmente longe da civilização, mais perto das tribos nativas, as amigáveis apenas.

Na mesma tenda do jovem Pedro estava também John, filho de um dos administradores ingleses. John, um pouco mais velho, tinha cabelos loiros e olhos azul-esverdeados. Alto, másculo, simpático, amigo da brincadeira. Tratava Pedro como se de um irmão se tratasse e Pedro via no inglês a perfeição em pessoa. Era costume no acampamento os mais velhos tomarem conta dos mais novos, mas John, ao contrário dos outros, quando se juntava com os da mesma idade, tinha por costume levar com ele o camarada de tenda e Pedro sentia-se importante. Era apenas um puto entre os mais velhos, mas era respeitado pois John impunha esse respeito.

Certa noite o acampamento foi rota de visitantes inesperados e nada bem vindos. Um grupo de leões, talvez mais curiosos do que ferozes, invadiram algumas tendas, pondo os seus moradores a fugir. Pedro, que normalmente dormia como uma pedra, de tão cansado que ficava com as actividades diurnas, nem dera pelo perigo. Quando abriu os olhos deparou-se com uma fera a olhar para ele, olhos nos olhos praticamente. Pedro nem se atreveu a lançar qualquer ruído, na esperança que o nobre visitante desse meia volta e fosse embora, que não o achasse um pitéu.

John percebera que ao se ter afastado da tenta poderia ter deixado inadvertidamente para trás o seu companheiro. Sem pensar sequer na sua própria vida, lançou-se em direcção ao acampamento, agarrou um galho, entrou na tenda e fez frente ao leão. Um rugido entoou e a fera simplesmente saiu, não se sentindo minimamente ameaçada pelo jovem inglês. Pedro levantou-se e abraçou John, o seu salvador. O perigo passou e todos voltaram ao acampamento. Na restante noite, Pedro dormiu seguro nos braços de John. E nas seguintes também, não fosse o leão voltar.

O velho Pedro acabava sempre com lágrimas nos olhos. Depois desse verão não voltou a ver John. Soube apenas que voltou à Escócia e não mais soube dele. Os anos passaram e a imagem do inglês jamais lhe saiu do pensamento. Pedro cresceu, alimentado com uma ínfima esperança de voltar a ver o outro rapaz.

Era Natal. A noite estava fria e Mestre Pedro mantinha-se no velho cadeirão, enrolado na manta de retalhos de que tanto gostava, junto ao lume. Dormitava já há algum tempo quando sentiu uma presença junto a si. Abriu os olhos e uma luz muito branca estava à sua frente, luz que se desvaneceu e fez aparecer uma bela cara, um anjo.


Estendeu a mão em direcção de Pedro e sorriu. Pedro, tão corajoso quanto a sua avançada idade o permitia, estendeu a mão, levantou-se e sentiu que o chão lhe faltara por baixo dos pés. Fechou os olhos e quando os tornou a abrir reconheceu o pano da velha tenda daquele acampamento que nunca esquecera. Tinha de novo 14 anos e estava deitado, seguro nos braços de John.

No outro dia de manhã, o velho Pedro foi encontrado sem vida, junto à lareira com cinzas ainda fumegantes. Um sorriso ficou-lhe estampado nos lábios e a sala cheirava a flores.



Eis mais uma estória, escrita enquanto os ingredientes da minha sopa de legumes cozem. Está na hora de voltar à cozinha e abraçar as tarefas culinárias em falta, pois do velho Pedro, já só restam memórias.

domingo, 3 de novembro de 2013


Por este motivo.

Feriado

Podem tentar acabar com as tradições e até introduzir outras que não nos dizem coisa alguma, mas a verdade é que temos que ser cada um de nós a manter a tradição.

Deve ser o título possível para uma obra literária mais longo de sempre. A verdade é que não será um título mas apenas o início de um pensamento que invade os arquivos onde se alojam as memórias mais antigas.

Dia 1 de Novembro deixou de ser feriado. Foi suspenso, diz a lei. Cá para mim foi eliminado para sempre. Outros feriados foram eliminados do nosso calendário e este será apenas mais um. Outros continuam a ser lembrados e este continuará a ser. Pois a memória é muito mais importante que qualquer lei que nos seja imposta.

Já quase não se vê quem peça o "Pão por Deus", mesmo aqui no campo. Ou pelo menos o número de crianças a fazê-lo é cada vez mais diminuto. talvez porque a miséria afinal não é tanta ou porque a taxa de natalidade é cada vez menor, não se renovando as populações.

Já o dia 2 não deixa de ser dedicado aos Finados. Ao menos que o povo se lembre de visitar cada cemitério, onde jaz parte da história de cada um. Gosto de visitar cemitérios. Não é um lugar tão triste como muitos pensam. Enquanto nos lembrarmos dos entes queridos que por lá repousam, não passarão ao esquecimento. Eu não esqueço de quem partiu e a quem um dia me juntarei. Chamem-me antiquado, mas só assim me consigo definir enquanto pessoa e continuador da tradição.

Não me venham com essas tradições dos outros que comigo não pegam. Nem no tempo de escola eu gostava dessas comemorações e nunca gostei que me fossem impostas. Infelizmente contavam para a nota final e isso fazia-me, apesar de alguma revolta, estudar o assunto e apresentar os trabalhos necessários. Talvez seja a minha costela de camaleão, adaptar-me às dificuldades que aparecem.

Foi um fim de semana de abusos. Claro que me refiro às questões gastronómicas. Jamais posso deixar para trás as deliciosas broas, tradição desta época festiva. venham as broas de chocolate, de mel, batata doce e todas as qualidades existentes. Venham as cobertas com açúcar ou simplesmente recheadas com frutos secos. Não esqueçamos as pevides, os tremoços, as nozes, os figos secos, as passas de uva, os amendoins, pistácios. Se bem que os frutos secos não sejam tão mais quanto o açúcar que compõem as broas. Fecho os olhos nestes dias e esqueço a saúde. Afinal só no final de Dezembro o "regabofe" volta, há tempo para recuperar, penso eu.

Já não se junta a família como eu gostava. Uns partiram e já não voltam, outros estão mais longe e as dificuldades da vida aumentam a distância. Cabe a cada um de nós manter a tradição e tentar que seja o que sempre foi, apesar das adversidades.


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Agradecimento

Agradeço a quem me enviou o contacto dos


mas não tenho


Já um homem não pode escrever sobre vinho. Tenho alguns vícios, mas o alcoolismo não é seguramente um deles.


PS: Escrevo ficção e ninguém comenta, escrevo sobre pinga e é o que se vê. lol




terça-feira, 29 de outubro de 2013

Vinho

Não sou grande especialista em bebidas alcoólicas. Bebo aquilo que me sabe bem e pronto.

Decidi que até aos 18 anos a bebida estaria afastada dos meus lábios. Sempre me considerei inteligente nesse aspecto, talvez até mais responsável. Com o virar para a idade adulta legal (que ainda não sei bem se já atingi a idade adulta real) a coisa "cantou de outro modo". Não sou tipo de andar constantemente alcoolizado mas também não sou rapaz para desconhecer o que anda por aí disponível.



Gosto de bebidas doces, que aqui na zona se diz "bebidas de gaja". As mais amargas deixo-as para as pessoas importantes. bebidas destiladas estão normalmente fora do meu cardápio, salvo raras excepções com alto teor de álcool.

Sou apreciador de bebidas frescas. É impensável beber uma cerveja à temperatura ambiente, excepto cerveja preta, que sabe tão bem fresca como quase quente (à moda inglesa). Gosto de vinho branco, verde branco, rosé, estupidamente frescos claro. E adquiri nos últimos 3 a 4 anos o hábito de degustar vinho tinto.



É claro que não sou grande entendedor em matéria de vinhos, bebo o que me sabe bem (lá estou eu na repetição), mas julgo já saber algumas coisinhas que antes ignorava completamente. Tinto deve-se beber sempre à temperatura ambiente ou quando fresco, não menos de 2 a 3 graus de diferença à temperatura natural. Um copo grande e de boca estreita é sempre melhor, para se desfrutar do aroma do líquido. Garrafas devem ser abertas com alguma antecedência para deixar o vinho respirar.

Em matéria de regiões vinícolas sou muito apreciador do Alentejo, Ribatejo e Estremadura, reservando o Douro para o famoso vinho do Porto, mais doce e alcoólico, para ser apreciado fora das refeições. Porém não deixo de fora qualquer região portuguesa, pois considero que este velho rectângulo luso é ainda um dos melhores produtores desse néctar dos deuses (somos todos deuses cá na terra, desde que saibamos apreciar o néctar).



PS: Nas próximas publicações voltarei à ficção, já me estão a exigir que deixe de falar de mim. (eu sei, sou muito aborrecido né?)