Este blogue tem conteúdo adulto. Quem quiser continuar é risco próprio; quem não quiser ler as parvoíces que aqui estão patentes, só tem uma solução.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Jantar domingueiro

Uma espécie de polvo à lagareiro (versão própria)


Gelado de morango com baixo valor calórico (um dia destes publico a receita)


Olarecas

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

A velha casa

(Este texto foi criado hoje mas é baseado num texto com cerca de 20 anos. Considero-o uma actualização necessária)



     Acabaram de bater as onze badaladas no velho sino da igreja. Meto a chave já enferrujada na fechadura, tacteando, pois a lâmpada de fora há muito que se encontra fundida. As velhas dobradiças rangem e eu entro na penumbra. Acendo o candeeiro que mal ilumina a sala. O anterior proprietário devia ser um forreta, já que todas as lâmpadas ou são de fraca potência ou estão simplesmente mortas de tanto uso. Atiro a pasta ao chão, descalço os sapatos e sento-me pesadamente na poltrona de tecido gasto. Tento vislumbrar o espaço, mas a fraca luz só me deixa adivinhar o que está à minha volta.

     Comprei esta casa há apenas 2 semanas. Mudei-me ontem mas esta será a primeira noite no velho casarão. Obras são precisas para que o edifício volte a ter o vigor de outros tempos. Festas e grandes recepções ocorreram neste espaço. Pelo menos assim falavam os vizinhos. Foram tempos de fartura, em que o vinho quase escorria pelo salão. O proprietário anterior, senhor de muitas terras, padrinho de meio mundo, era um mecenas. Mas era também um pobre homem, deixando-se enganar por falsas promessas de aumento da fortuna, que se revelaram verdadeiros fiascos. Terminou a vida quase a pedir esmola pelas ruas. Recebia apoio da Congregação, mas ninguém se atrevia a confirmar o facto. Afinal era ainda o mais alto representante de todas as boas causas sociais. Um exemplo a seguir por todos.

     Deixei-me ficar na poltrona. Na minha cabeça, quente dos problemas laborais, ainda se formavam ideias para restabelecer o esplendor ao casario. Pintura nova, canalizações, renovação dos pisos. O velho celeiro seria transformado em salão de festas. No jardim, se se pudesse chamar de jardim efectivamente, seriam removidas as velhas raízes e substituídas por árvores, arbustos e roseiras de diversas cores. E luz, muita luz. Proporcionada por lâmpadas de boa potência e abertura de janelas de grande dimensão. As ideias fluíam, assim houvesse capital financeiro para as concretizar.

     Um som… raios… estará alguém em casa? Pensei eu. Endireitei-me e tentei ouvir de novo. Efectivamente algo se ouvia. Risos talvez. Levantei-me e fui até à lareira. Peguei no ferro de mexer o fogo e em bicos de pés percorri o piso térreo. Afinal parece que o som vem lá de cima. Subi as escadas lentamente, tentando que as tábuas dos degraus não denunciassem a minha posição, com os rangidos que saiam debaixo dos meus pés. Já no cimo, pareceu-me ver uma ténue luz ao fundo do corredor. Tropeço num velho vaso e quase o quebro. Chiiiiuuuu… disse para mim mesmo. Continuei a seguir a luz, que se tornava cada vez mais forte. Parei em frente à porta do quarto principal que estava entreaberta e espreitei lá para dentro.

     Dois corpos jovens. Musculados, envoltos numa luz divinal. Seus lábios tocavam-se mutuamente e a cada beijo havia uma nova explosão de luz. Abraçados rolavam por cima da manta de retalhos que cobria a velha cama de dossel. Bem me avisaram os vizinhos que coisas estranhas se passavam aqui. Pensei, imaginando a vizinha gorda da casa do lado esquerdo e do seu finíssimo marido com bigode de pincel. Abri mais a porta e as dobradiças rangeram. Os amantes nem se assustaram, continuando os seus momentos de paixão. Aproximei-me e foi quando um deles me olhou me estendeu a mão. Estivesse eu hipnotizado ou não, só sei que segui naquela direcção.

     Três corpos se envolviam naquele leito. Beijos eram partilhados. Toques suaves. E uma sensação de paz invadia todo o meu corpo. Sentia-me flutuar, como se o colchão tivesse simplesmente desaparecido e uma almofada de ar nos sustivesse. Gemidos de prazer foram emitidos por todos. Envolvimentos mais profundos levaram-me a estados de prazer jamais sentidos. Poderia acabar o mundo naquele momento que não me importaria nada. Adormecemos juntinhos, quase nos fundindo num corpo só.

     Acordo com um sorriso nos lábios. Cheira a flores. Abro os olhos. Raios de sol atravessam os empoeirados vidros. Deparo-me com o fato de trabalho e com a gravata desapertada, sentado na velha poltrona de tecido gasto. Acho que dormi aqui e tudo o que aconteceu não passou de um belo sonho. E quando olho para o quadro que fica por cima da lareira, lá estavam aqueles belos jovens. Juro que um me piscou o olho mas deve ser apenas fruto da minha enorme imaginação.

     Só sei que quero recuperar a velha casa e que esta noite foi apenas o ponto de partida para um grande futuro.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Documentário - Leve-me pra sair

Vale a pena utilizar 20 minutos da vida para assistir a este documentário brasileiro. Apesar de ser baseado em testemunhos de gente jovem, acaba por ser bastante interessante na mesma.


domingo, 4 de agosto de 2013

Eu sei

Sei que passaste à minha porta
Nem sequer olhaste a humilde moradia
Onde um dia fomos felizes


          Eu sei

          Sei que foste pelos trilhos
          Que nas tardes frescas de verão
          Foram passagens nossas


Eu sei

Sei que te sentaste na mesa
Do nosso habitual restaurante
Onde comíamos normalmente


          Eu sei

          Que ainda pensas naqueles momentos
          Todos eles repletos de alegria
          E que eram inveja dos nossos amigos


Eu sei

Sei que não vale viver de memórias
Em especial as que nos fazem sofrer
Mas que deixam algumas lições à vida


          Eu sei

          Sei que tu sabes que ainda me sentes
          Que não te saio do pensamento
          E que no final nada mudará


Eu sei



terça-feira, 30 de julho de 2013

Intimidade


Que queres que eu faça? É apenas o que sinto...


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Separação

Abro uma vez mais a janela das minhas memórias. Recuo três décadas e relembro o meu tempo de criança, em que nos dias de festa havia normalmente uma mesa reservada à cachopada.


Sempre fui agarrado à saia da minha mãe, pelo que nunca me agradou ser escorraçado para fora da mesa dos adultos e sentar-me junto dos pequenos. Afinal era pequeno...

sábado, 27 de julho de 2013

Relatos serranos

Por ironia, cada vez que me sento no exterior para escrever, o vento é presença constante. O dia esteve quente, normal para a época. Alguns sopros esporádicos, faziam amenizar um pouco o ambiente. Agora está mais forte. Nada que me surpreenda, estando no ponto mais elevado do Oeste, ou seja, em plena serra do Montejunto.

O sol, descendo do horizonte, em direcção ao mar, encontra-se cor-de-laranja. O ar ainda está quente e já se nota a formação de uma neblina no horizonte. Vê-se a baía de S. Martinho ao fundo. Os moinhos de vento, como chama o povo aos modernos aerogeradores, encontram-se em pleno movimento. Já ali os dez instalados na Serra de Nossa Senhora de Todo-o-Mundo, mais longe os da serra dos Candeeiros. Por lá as torres brancas são em maior quantidade, contrastando com a brancura das pedreiras que ferem a paisagem.

Já quase não vejo o sol de onde estou sentado. Estou mais abrigado do vento mas cada sopro arrasta consigo ar quente que quase queima a pele. Restos do dia que finda antevendo uma sexta-feira bem mais quente. Uma águia aproveita esta bonança de energia. Há pouco eras duas, talvez um casal em busca de alimento para as suas crias. Talvez eternos apaixonados numa dança de sensualidade.

Gosto da pedra que me serve de apoio. Tal como gosto de todas as que formam esta velha igreja. Ervas secas povoam as juntas da calçada que compõe o espaço envolvente. Dão um ar de antiguidade, não de descuido como alguns dirão. Pequenos tufos de musgo povoam as zonas mais sombrias.

Há mais gente pela serra. Visitantes, ciclistas, um fotógrafo talvez amador. A serra convida, a luz vai-se e está na hora de voltar a casa.

Montejunto
04-VII-2013 (21:15h)