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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Coisas...

Podes pensar que sou infeliz
Por viver nesta solidão:
Mas vivo a vida que eu quis
Apesar de ser um só coração.
                                         XII/2000

Início de século. Um jovem estudante de Coimbra, ansioso por terminar os estudos e finalmente deixar de ser um encargo para a sua mãe, ser dono de suas próprias coisas e da vida.


Pegando na pena, escrevo
Linhas de presente e passado
Por vezes até tenho medo
Por escrever sem ser amado
                                       VII/1996

O ano em que o rapaz completou 18 anos, a maioridade. O já poder ter um carão de débito, votar, acabar os estudos que dariam equivalência àquela que hoje é a escolaridade obrigatória. A diferença é que já sabia o que queria ser no futuro. Estudar no ensino superior e tornar-se assim no primeiro diplomado da família.


Eu penso no que tu pensas
Diz-me o que estás a pensar
Diz-me e não me mintas
Pois não consegues me enganar
                                              XII/1997

As primeiras férias de Natal. Um semestre já passou e a seguir os primeiros exames da carreira académica naquela cidade distante. A cidade dos amores, como escreveram tantos poetas. Para o rapaz apenas uma cidade, um mundo novo.


Gostaria de saber
Quem sou eu, quem sou
Mas não sei o que fazer
Nem porque é que aqui estou
                                          V/1998

Mais um ano ano a juntar aos 19 anteriores. Cresceu o rapaz, aprofundou os seus conhecimentos, cimentou amizades, daquelas que seriam laços para uma vida.


De todo negro é vestido
De Coimbra, o estudante
É a cor de que me sirvo
Para ser doutor e amante
                                    VIII/1998

As tradições de uma cidade antiga transpiram de cada um dos velhos edifícios, das ruas onde cambaleantes vultos gozam dos prazeres daquelas noites regadas de várias cores. As luzes dos candeeiros fazem companhia e as sombras contam histórias que serão sempre lembradas.


Perdoa-me...
Há vários dias que não penso em ti,
Que não olho cá para dentro
E vejo essa tua imagem.
                               XI/1997

Há muito que percebera que a fronteira tinha sido de uma vez por todas totalmente erguida. Olhar para trás seria apenas para relembrar o início de algo que possivelmente não teria um fim desejável. Restaram as palavras, os versos escritos nos cadernos da escola e agrupados em livros que jamais seria publicados.


Disse-te que tinha deixado
De poesia escrever
Fizeste uma cara
Que não consegui esquecer

Sou tolo é verdade
Penso aqui para mim
Mas não passa da idade
Que me faz ser assim

Não sei se sou cantor
Não conheço a minha meta
Escrevo a meu amor
E não sei se sou poeta

Sopra o vento na falésia
Corre a água pelo rio fora
Não sei quem sou, tenho amnésia
Nem sei onde minha alma mora

Os anos foram passando e os momentos foram ficando para trás, substituídos por outros prazeres, coisas de adulto dirão alguns. Outros dirão apenas que é um vulgar evoluir da vida, como se isto se chamasse de vida. Como se viver fosse tão fácil como escrever.




segunda-feira, 13 de julho de 2015

Fuga

Sim, fujo de mim
Tantas vezes assim o faço
Como se fosse a solução final
Como se fosse arriscar
Como se fosse apenas mais um parar

Sim, fujo de mim
E quantas vezes os outros também fogem
Como se fosse criatura medonha
Como se fosse prisão
Como se fosse o risco de encontrão

Sim, fujo de mim
Pudera não ter que o fazer
Como se fosse um desígnio
Como se fosse uma solução
Como se fosse afinal um perdão

Sim, fujo de mim
E não páro de fugir
Como se não conseguisse parar
Como se não quisesse reagir
Como se não tivesse onde ir

Sim
Fujo
Fujo de mim


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Memória de outro tempo - António Aleixo


Se existe poeta popular que esteja no pódio dos meus favoritos é sem dúvida o António Aleixo. Foi com ele que aprendi em tempos o prazer de criar poesias. Uma pessoa de tão poucos estudos ensinou-me mais do que muitos professores de português.

Ao ler os versos que deixou escritos, quantas vezes tão actuais, ainda me fascino. Algumas das minhas composições que por opinião própria são as mais complexas, vêm da inspiração que o poeta popular de Vila Real de Santo António despertou na minha cabeça.

Foi com o António Aleixo que comecei a criar em tempo poemas com "mote" e "glosas". E foi com algumas das melhores quadras do Aleixo que transformei em mote que construí as melhores dedicatórias a esse grande poeta.

Mote

Ser artista é ser alguém!
Que bonito é ser artista...
Ver as coisas mais além
Do que alcança a nossa vista!

                               António Aleixo

Glosas

Nem só o trabalhador
Pode ter identidade
Porque a igualdade
Foi-nos dada pelo criador.
É com um pouco de dor
Se um dia a mim vem
E diz que sou ninguém;
Só o diz por ter inveja,
Pois não há ninguém que não veja
Que ser artista é ser alguém!

É bonito ser doutor
Também o é ser engenheiro
Ou até ser pedreiro
Ou mesmo lavrador.
Desde o alpinista
Ao pianista
É bonita qualquer profissão,
Pois sabe o parvo ou o sabichão
Que bonito é ser artista.

É bom ver a luz que alumia
Ver o real e o imaginário
Ver o bom e o ordinário.
Tal como o mestre da astrologia
Que prefere a noite ao dia,
Para ver bem
As surpresas que o céu tem,
Também o artista
Usa o seu ponto de vista
Para ver as coisas mais além.

O artista, vê de tudo
O que aprende por sua mão
Tal como o cego com a escuridão
E o surdo com o mudo;
Ver as coisas do mundo.
E não ser egoísta
Como não o é o artista
Ou o poeta também,
Que vêem as coisa mais além
Do que alcança a nossa vista!

      Maio/Junho de 1998

Na realidade a métrica não está grande coisa, mas este foi apenas o segundo poema escrito com décimas (estrofes de 10 versos). Mesmo assim foi uma grande novidade na minha poesia da altura. O texto em si parece também não fazer grande sentido para que o leia pela primeira vez, também o é para mim já que o passei directamente do rascunho e não transcrevi a versão final que não tenho aqui comigo no momento. Essa sim, tem um outro efeito final.

Ao António Aleixo devo quase mais de 15 anos de poesia. Sem esse grande mentor eu seria apenas mais um poeta incógnito. É certo que me mantenho incógnito, mas pelo menos um pouco mais versado. (rsrsrs)




domingo, 15 de dezembro de 2013

Com dedicatória a Coimbra

Mote

Podes pensar que sou infeliz
Por viver nesta solidão:
Mas vivo a vida que eu quis
Apesar de ser um só coração.

Glosas

Sou metade de um par
Lá nisso tens toda a razão;
E passo a vida a cantar
Em rimas, minha solidão.

     Sou metade de um poema
     Escrito com muita dor;
     Sou um só neste sistema
     Em que só eu dou amor.

Sou metade de uma vida
Peço a Deus a outra parte;
Mas é súplica perdida
Pois nem para pedir tenho arte.

     Sou metade de um brinco de cereja.
     Até esta fruta tem mais sorte;
     Vivo de constante inveja,
     Não sabendo qual o meu norte.

Sou metade do que tu pensas,
E pensas que sou infeliz?
Não venhas com fé ou crenças,
Vivo a vida que sempre quis.

     Sou metade de um momento
     Pois vivo nesta solidão.
     Sou metade do pensamento,
     Sou parte de um só coração.

Coimbra, 09 de Dezembro de 2000 (03:23 h)


domingo, 1 de dezembro de 2013

Como se

Como podes pensar que não te quero
se todos os dias penso em ti.
Como podes achar que não te sinto
quando te sinto perto de mim.
Como podes estar tão longe
se perto serás mais feliz.
Como podes tantas coisas
se na realidade não estás a meu lado.

Espero por ti...


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Diário frio

Pouco passa das seis horas da madrugada e cá estou eu de volta do meu diário. Acordei às 5, resultado de ter deitado demasiado cedo na noite de domingo. Foi o frio que me fez ir para o leito tão cedo, depois de um banho quentinho para aquecer os ossos. Liguei o rádio despertador, troquei algumas mensagens e entreguei-me ao reino dos sonhos.

Não consigo estar demasiado tempo na cama, pelo que me obriguei a levantar. Se o fizesse mais perto da hora de sair para o trabalho, seria dor de cabeça certa durante o resto do dia. É assim comigo, talvez por falta de motivos para me deixar estar mais tempo ou porque o meu corpo, já tão habituado, me prega essa partida diariamente.

Sentado em frente ao portátil, vestido, com o robe e mantinha pelas pernas, pantufas calçadas, tentando manter o quente que o corpo lança, aqui nesta sala que continua fria, tão fria como na noite de ontem. Já tomei o pequeno almoço, pelo que, pelo menos por dentro, mantenho-me mais quente. Pareço um velho, dirão alguns; outros poderão entender-me melhor.

Nenhuma história me sai das células cinzentas, talvez porque ainda não tenham acordado totalmente. Acho que prefiro o silêncio da noite para poder criar as minhas aventuras, passar para o registo alguns dos meus sonhos, já que outros ficam simplesmente a marinar, à espera de se concretizarem. Esses, os mais pessoais, ficarão apenas na minha memória, podendo quiçá serem lidos por quem tenha alma tão desconcertante como a minha, quem me compreenda e se reveja em mim.

Diz o meu maior crítico que só escrevo disparates, que cabe a mim passar das frases aos momentos, que só eu posso transformar o virtual em realidade. Respeito a sua experiência e tento até aprender com ela, porém por enquanto, deixo-me ficar no meu canto, esperando dias melhores. Que venha uma nova primavera. Entretanto ainda falta acabar o outono e decorrer o frio inverno.

                                   Deitei-me a pensar só em ti
                                   Assim faço a todo o momento
                                   Gostava de te ter sempre aqui
                                   Que me saísses do pensamento

Lembrei desta quadra agora, tantas vezes escrita ao longo dos anos. Vinte já passaram, acho eu. Duas décadas de poesia que contam grande parte da minha história. Os sonhos já referidos que de outra maneira não serão contados.

                                    Nos momentos frios de agora
                                    Que gelam até o coração
                                    Peço que peguem na mão
                                    E me levem estrada fora

                                          Escrevo apenas o que vai na alma
                                          O que nela paira a todo o momento
                                          É assim que este meu pensamento
                                          Me descansa e até acalma

                                   Que dos sonhos já tão pensados
                                   E que ficam nesta memória
                                   Pois já são a breve história
                                   De vinte anos já passados

                                          Que o frio não faça esquecer
                                          Pois o esquecimento é a morte
                                          Não quero para mim essa sorte
                                          Pois vou sempre escrever

De promessas está o Inferno cheio, já diria a avó de outro. A minha tem-se cumprido e desde que eu possa assim continuará, pois as prosas e os versos, sentidos ou inventados, bons, maus ou estragados, com bom efeito ou sem tino, continuarão a definir quem sou e serei .

                                  E antes que escreva sem nexo
                                  Apesar de sentir que já comecei
                                  Vou terminar aqui a escrita
                                  Pois nesta semana mais tempo terei.

Ribatejano, o poeta pateta


domingo, 4 de agosto de 2013

Eu sei

Sei que passaste à minha porta
Nem sequer olhaste a humilde moradia
Onde um dia fomos felizes


          Eu sei

          Sei que foste pelos trilhos
          Que nas tardes frescas de verão
          Foram passagens nossas


Eu sei

Sei que te sentaste na mesa
Do nosso habitual restaurante
Onde comíamos normalmente


          Eu sei

          Que ainda pensas naqueles momentos
          Todos eles repletos de alegria
          E que eram inveja dos nossos amigos


Eu sei

Sei que não vale viver de memórias
Em especial as que nos fazem sofrer
Mas que deixam algumas lições à vida


          Eu sei

          Sei que tu sabes que ainda me sentes
          Que não te saio do pensamento
          E que no final nada mudará


Eu sei



quarta-feira, 29 de maio de 2013

Escritos de outros tempos

Há quinze anos atrás andava por Coimbra. Estudei lá e por lá morei, claro. Os interesses eram outros e a poesia apenas mitigava as saudades que eu tinha dos tempos de menor de idade, em que a responsabilidade era muito menor, principalmente em relação aos estudos bem como a distância da família.

Não era preciso muito para encontrar motivos para escrever. Os intervalos ou os tempos livres eram muita vezes passados a compor. Tinha alguma felicidade em ter alguns colegas que gostavam do que eu escrevia, quantas vezes de forma mais humorística ou apaixonada.

Ando de volta de um velho dossier, onde guardo muito do que escrevi naquela altura. Nele guardo folhas de ponto, papel quadriculado, versos passados à máquina de escrever. Devo ter inclusivé coisas escritas em guardanapos ou toalhas de mesa. Pensava eu na altura que era poeta... hoje já não tenho tanta certeza.

Este poema que aqui deixo foi escrito de propósito para uma apresentação de poetas populares em que fui participante, se a memória não me falha. Eu tinha 20 anos... e muito a aprender.

Mote

Não batam palmas
Peço-vos por favor
Pois sou um poeta
Que escreve a sua dor

Glosas

Gosto de escrever
O que me vai na alma
Escrevo para quem entender
Por isso não batam palmas

Escrevo para que o mundo mude
Escrevo contra a guerra e a dor
Não aplaudam, por minha saúde
Peço-vos por favor

Eu tenho um sonho
Tenho de atingir uma meta
Em poucas palavras tudo ponho
Pois sou um poeta

O silêncio vale ouro
Seja em que terra for
Não passo de um simples poeta
Que escreve a sua dor

Julho-1998


Foi escrito à noite, a minha mais fiel aliada na altura. Quinze anos passaram e muitos dos sonhos que escrevia na altura não se concretizaram... nem acontecerá.




terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Momentos do antigamente

Vinte anos passaram desde que percebi que as palavras se juntavam, dentro da minha moleirinha, na tentativa de formarem frases interessantes. As pequenas frases foram depois juntas para criarem poemas. Pensava eu que era um poeta popular, mas a minha memória trama-me um pouco e decorar certos textos não é comigo.

Por causa de um poema que escrevi num comentário de um blogue concorrente (hahaha) lembrei-me que no meu "castelo" existe um velho dossier, com uma série de poemas que escrevi, quando era menos espigadote. Muito escrevi nos meus tempos de estudante, talvez na esperança de conquistar algum coração desprevenido. Acham que resultou?

Corria o ano 1999 (século passado) quando peguei numa famosa e bela quadra de um dos maiores poetas populares de todos os tempos, António Aleixo e com a minha ignorância lá o coloquei como mote, às glosas que a seguir saíram da minha criatividade.

Mote

Qual é a mulher mais bela,
De formas esculturais?
A mais bela é sempre aquela
De quem nós gostamos mais.

(António Aleixo)

Glosas

Penso na beleza
Que o mundo tem
E penso também
Na fiel riqueza
Que a mulher tem, com certeza.
São todas desiguais
Pinto-as a todas numa tela.
Mas qual é a mulher mais bela,
De formas esculturais?

Isto dá que pensar
Pois há mulheres pretas e branquelas
De todas as cores, amarelas
Da cor do tio e do mar.
Olhando do ar
Procuro sinais
Dessas mulheres quase iguais
À mulher para mim mais bela.
Pois a mais bela é sempre aquela
De quem nós gostamos mais.


Não me preocupei muito com a métrica na altura, mas não me esqueci da rima. Escrever décimas (10 versos) não é "pêra doce". Talvez um dia eu aprofunde mais o tema.