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sexta-feira, 17 de março de 2017
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
Aquelas tardes em que o mar se confunde com o céu
Está assim nesta tarde de final de Outubro, em pleno Outono. Daqui donde me encontro o mar apresenta uma calma aparente, mas o som é inconfundível. As ondas batem na areia e a espuma branca forma uma orla, qual renda de um pano de cozinha, separando a areia da água.
As eternas vigilantes desta costa não se dão a ver no céu, sinal de tempestade, tal como prevê o velho provérbio popular. Gaivotas em terra... e calma nos meus pensamentos. O desejo de aqui estar foi maior que o medo à tempestade.
Está quente, marca o termómetro vinte graus, temperatura quente para quem já deseja que o frio obrigue a mudar a roupa dos armários. Os poetas já o desejavam há mais tempo, o amor das suas composições aquece muito mais durante o tempo frio. Como é que eu sei? Porque também um dia pensei ser poeta.
Uma leve aragem, um presumível ensaio para o vento que se espera para a noite, aumentando a acção do frio aos nossos corpos, aquela sensação que manda os dentes de baixo baterem nos seus irmãos, aqueles que rodeiam o céu, da boca.
Aqui dentro, no habitáculo da minha montada, o meu veículo de quatro rodas e motor a combustão interna, não se sente tanto a aragem, sinto-me protegido embora ansioso de sair e deixar as partículas baterem na minha pele exposta.
O mar revolto mantém-se lá em baixo, ruidoso, furioso com a terra, chicoteando-a com as suas partículas molhadas, essas que arrastam os grãos de areia que povoam a superfície onde o mesmo mar se desloca.
Só tenho a agradecer ao mar, a esse grandioso Atlântico, que uma vez mais me trouxe a saudosa inspiração, que alimenta as células cinzentas que povoam o meu interior craniano.
Mudo de página neste velho caderno quadriculado, base onde deposito a tinta que escorre pela esferográfica, formando letra a letra estas palavras, que no seu conjunto tentam formar frases com algum sentido. Dizem alguns que consigo esse sentido com alguma facilidade, já eu, na minha franca modéstia, achou que sou apenas um sortudo, que consegue mesmo com um pouco de azar por vezes, criar textos com algum interesse.
Uma gaivota aventura-se, levantou voo como se quisesse contrariar a minha previsão. Só uma apenas... como eu a compreendo... sim. Tantas vezes sou o tal que tenta contrariar certas tendências, interesses instalados em mentes desconfiadas, de gente que se diz inteligente. Talvez seja eu o parvo e nunca tenha dado por isso.
A luz, aos poucos, cria a fronteira que divide o dia da noite. Daqui a menos de uma semana notar-se-á que o lusco-fusco surgirá mais cedo, resultado da conversão temporal da hora de Inverno, essa maluca estação sinónima de frio, chuva e escuridão.
Penso seriamente se terei coragem de transcrever estas palavras para o moderno formato digital. Caso alguém esteja a ler, é sinal que a vontade de avançar superou o desejo de manter estes pensamentos no meu caderno de escritos pessoais, íntimos. Sorte (ou azar) de quem os leia.
Doem-me os dedos, resultado desta má posição em que me encontro no momento, sem uma base sólida para pousar o caderno. A mão obriga o pulso a manter-se no ar, uma certa dormência ataca-me a base do mindinho, perdendo a sensibilidade. Não me queixo, é apenas o resultado desta vontade de escrever à mão, como memória de outros tempos onde a informática era apenas um sonho de juventude.
Mudo de posição no banco, olho o mar, algumas nuvens menos densas deixam passar alguma luminosidade, amarelada, de final de dia. Já a ira do mar não sofreu qualquer alteração. É esse meu velho amigo rezingão a lembrar-me que ainda por ali está.
Duas luzes na imensidão agora cinzenta escura: uma branca num pequeno barco de pesca; outra vermelha, no alto do farol, guiando os marinheiros para a segurança da terra, do lar de cada um. Desejo que cada um desses bravos homens chegue em segurança aos braços de quem os espera no quente dos seus lares: as ansiosas mulheres, sempre com o coração na boca e os filhos, essa descendência a que desejam sempre melhor sorte.
A falta de luz puxa pelos meus olhos, visão já cansada, sinal que é o momento certo para parar de escrever.
Algures na costa Oeste, 26-Outubro-2016
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domingo, 16 de março de 2014
SOL PRIMAVERIL
Parece que finalmente a Primavera se tenta instalar, apesar do Inverno ainda se fazer sentir durante a noite. Português que se preze, em especial o que vive no litoral, ao domingo ruma em direcção da costa, para observar este imenso Atlântico que dá sinais de fúria. Paro o carro e aproveito para escrever, enquanto tu baixas o banco e aproveitas para receber os raios de sol, de olhos fechados.
Está uma aragem fresca e as poucas gaivotas que se vêem aproveitam-na para fazer aquilo que mais gostam, voar. Lá em baixo, na praia, dois brincam com um pequeno cão. Penso que seja pequeno, já que, apesar da distância e do cansaço dos meus olhos, consigo ainda avaliar tamanhos.
Carros povoam, todos os recantos da costa. Para trás ficaram as filas de trânsito e a poluição sonora. Aqui só se ouve um ou outro pio das gaivotas e o mar a rebentar na areia.
Mexes-te no banco e às cegas pousas a tua mão na minha perna direita. Olho e vejo o teu sorriso, como se adivinhasses a minha reacção ao teu avanço. Percebo então que é tempo de parar de escrever e imitar-te. Temos que aproveitar este raro momento.
Está uma aragem fresca e as poucas gaivotas que se vêem aproveitam-na para fazer aquilo que mais gostam, voar. Lá em baixo, na praia, dois brincam com um pequeno cão. Penso que seja pequeno, já que, apesar da distância e do cansaço dos meus olhos, consigo ainda avaliar tamanhos.
Carros povoam, todos os recantos da costa. Para trás ficaram as filas de trânsito e a poluição sonora. Aqui só se ouve um ou outro pio das gaivotas e o mar a rebentar na areia.
Mexes-te no banco e às cegas pousas a tua mão na minha perna direita. Olho e vejo o teu sorriso, como se adivinhasses a minha reacção ao teu avanço. Percebo então que é tempo de parar de escrever e imitar-te. Temos que aproveitar este raro momento.
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Mitos
Com muita força de vontade os raios solares trespassaram a espessa camada de nuvens que cobria o céu. Quando tocaram a superfície da água espalharam-se e o mar, como que a gostar daquele calor, acalmou a fúria das ondas.
Aos poucos aquela mancha de luz reflectida foi-se aproximando e com ela sons que me enfeitiçaram a alma, fazendo-me cair num sonho e esquecer o mundo em redor.
Os sons não eram mais que o canto de duas sereias, que a partir do mar, lançavam em minha direcção. Fui totalmente enfeitiçado, já nem sentia o meu corpo, nem o frio que o vento transportava e flagelava todas as pequenas áreas de pele expostas, que a roupa não tapava.
Deixei-me ir ao som de tal encanto, como se toda a minha vontade tivesse sido roubada. Abri porém os olhos e deparei-me com o abismo, mais um passo e fundir-me-ia com as ondas do mar.
As sereias quando perceberam que as linhas do encanto tinham sido quebradas, pararam de cantar. Foi então que os raios solares começaram a perder as forças e uma vez mais as nuvens ameaçaram o céu. As sereias partiram e aos poucos a luz. Ganhou uma vez mais a força das nuvens e só então entendi que o abismo não é uma solução, mas apenas um atalho, em que o resultado final é unicamente uma triste e simples gota salgada.
Hoje, junto ao mar (16:53h)
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Relato de um momento na praia
Milhões de pequenas partículas povoam o espaço em redor. Restos, resultados de muitos anos de desgaste das altas montanhas de rocha mais ou menos dura. Vento. Chuva. Quantos litros de água necessários para transporte e quantos mais que as depositam contra os penhascos que tentam resistir.
Servem de leito para um corpo cansado de mais um dia de labuta. Agarram-se às pernas, especialmente quando unidas ao precioso líquido que é fonte de vida. Pernas que secam lentamente ao ar ainda quente. Algumas gotas de suor escorregam pelas costas, sinal que o corpo precisa de refrescar.
Não me sinto tão só como possa parecer. A uns meros vinte metros, uma matriarca, olha as suas crias, que se aventuram água adentro.
Não há silêncio que valha o som que me envolve. A ondulação, talvez mais inconstante do que gostaria, provocam sensações várias, que vão desde o medo da imensidão à coragem para a aventura. E não, não me sinto tão só como possa parecer. A uns meros vinte metros, uma matriarca, olha as suas crias, que se aventuram água adentro.
O chão é duro, tal como atestam os glúteos já um pouco dormentes. Tento ajeitar a almofada pétrea onde me sento. Apetece seguir em frente para aliviar o desconforto. Porém, a caneta, o caderno e a vontade de escrever, fazem-me ficar mais um pouco. E de onde é que apareceram estes mosquitos que quase me comem as pernas?
Tenho por vezes a sensação que a praia me atrai mais do que sempre pensei. Talvez a costela lusitana e a velha ânsia de ir em busca de outras paragens. Talvez unicamente a solução que a vida encontrou para me mostrar que há mais além da rotina. Seja qual for a razão, agrada-me e cria vontade em querer continuar, em tentar encontrar mais respostas.
Aqui não há monotonia e os corpos nem sempre são iguais. Tento-os comparar e penso sempre que aquele que mais preenche as minhas medidas já cá está, apenas se apresenta algo escondido.
Olho um cão, sossegado e penso se o meu fiel companheiro terá semelhante comportamento quando decidir trazê-lo comigo. Vou ficar à espera que termine o verão para descobrir o resultado.
Vou voltar à água, tentar a fusão com as suas moléculas.
JÁ VOLTO
Faz-me bem a água fresca às articulações dos membros inferiores, ajuda a recuperar de velhas mazelas, resultado de esforços despropositados na prática desportiva. Gosto do sabor salgado, embora nem o devesse provar sequer. Sinto-me bem quando a impulsão molhada tenta derrubar este corpo. De quando em vez o nível sobe e... lá molho os calções outra vez.
Não sei nadar, confesso. Nem sequer tento boiar, não vá o mar levar-me a paragens indesejadas. Limito-me a ficar de molho, a saltitar, qual criança curiosa. E a linha do horizonte que me envolve e tenta puxar-me na sua direcção. Lembro se haverá melhor local para o descanso eterno. Os marinheiros dirão que não, enquanto as suas mulheres preferem os sete palmos de terra. Preferências de quem vive com o coração na garganta e que espera haver um sítio onde se possa depositar uma jarra cheia de flores.
(parágrafo que fica fora desta publicação)
Uma perna dormente faz-me cair para trás, deitando-me na toalha colorida, reactivando a circulação sanguínea. Ou apenas um aviso, de que está na hora de parar de escrever. Concordo com a ideia.
Fim de transmissão
Algures numa praia do oeste, quase deserta.
Servem de leito para um corpo cansado de mais um dia de labuta. Agarram-se às pernas, especialmente quando unidas ao precioso líquido que é fonte de vida. Pernas que secam lentamente ao ar ainda quente. Algumas gotas de suor escorregam pelas costas, sinal que o corpo precisa de refrescar.
Não me sinto tão só como possa parecer. A uns meros vinte metros, uma matriarca, olha as suas crias, que se aventuram água adentro.
Não há silêncio que valha o som que me envolve. A ondulação, talvez mais inconstante do que gostaria, provocam sensações várias, que vão desde o medo da imensidão à coragem para a aventura. E não, não me sinto tão só como possa parecer. A uns meros vinte metros, uma matriarca, olha as suas crias, que se aventuram água adentro.
O chão é duro, tal como atestam os glúteos já um pouco dormentes. Tento ajeitar a almofada pétrea onde me sento. Apetece seguir em frente para aliviar o desconforto. Porém, a caneta, o caderno e a vontade de escrever, fazem-me ficar mais um pouco. E de onde é que apareceram estes mosquitos que quase me comem as pernas?
Tenho por vezes a sensação que a praia me atrai mais do que sempre pensei. Talvez a costela lusitana e a velha ânsia de ir em busca de outras paragens. Talvez unicamente a solução que a vida encontrou para me mostrar que há mais além da rotina. Seja qual for a razão, agrada-me e cria vontade em querer continuar, em tentar encontrar mais respostas.
Aqui não há monotonia e os corpos nem sempre são iguais. Tento-os comparar e penso sempre que aquele que mais preenche as minhas medidas já cá está, apenas se apresenta algo escondido.
Olho um cão, sossegado e penso se o meu fiel companheiro terá semelhante comportamento quando decidir trazê-lo comigo. Vou ficar à espera que termine o verão para descobrir o resultado.
Vou voltar à água, tentar a fusão com as suas moléculas.
JÁ VOLTO
Faz-me bem a água fresca às articulações dos membros inferiores, ajuda a recuperar de velhas mazelas, resultado de esforços despropositados na prática desportiva. Gosto do sabor salgado, embora nem o devesse provar sequer. Sinto-me bem quando a impulsão molhada tenta derrubar este corpo. De quando em vez o nível sobe e... lá molho os calções outra vez.
Não sei nadar, confesso. Nem sequer tento boiar, não vá o mar levar-me a paragens indesejadas. Limito-me a ficar de molho, a saltitar, qual criança curiosa. E a linha do horizonte que me envolve e tenta puxar-me na sua direcção. Lembro se haverá melhor local para o descanso eterno. Os marinheiros dirão que não, enquanto as suas mulheres preferem os sete palmos de terra. Preferências de quem vive com o coração na garganta e que espera haver um sítio onde se possa depositar uma jarra cheia de flores.
(parágrafo que fica fora desta publicação)
Uma perna dormente faz-me cair para trás, deitando-me na toalha colorida, reactivando a circulação sanguínea. Ou apenas um aviso, de que está na hora de parar de escrever. Concordo com a ideia.
Fim de transmissão
Algures numa praia do oeste, quase deserta.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Escritos
Não perguntes o que desejei para esta época, pois tu, mais que ninguém, sabes quais foram as minhas preces. Os dias passaram e de dentro de todo o nevoeiro nada mais saiu que gotas de água. Desejei que tudo acabasse rapidamente. Pedi aos céus que tornassem esta espera num resultado final.
Aqui fiquei, esperando as boas novas. Esperando a missiva que explicasse o deserto que sentia à minha volta. Aquela música melancólica teria assim, ao ritmo dos meus desejos, uma letra... talvez só ouvida pelo meu interior. Para os outros o silêncio completo. Porque eles não entendem. Porque eu não entendo.
Desejei que todo o tempo fosse consumido, como se se tratasse de combustível. Pedi que a luz me abandonasse e que o escuro envolvesse o nosso mundo. Oh tristeza tamanha... oh infortúnio... oh desgraça das desgraças.
E quando me dizem que é altura de avançar, de viver uma outra história, eu fujo. Sim fujo, daquelas infames vozes, dos sons que povoam todas as células da minha memória, que me embriagam e me levam ao terror que é viver sem ti.
Volta eu te perdoo, volta.
Volata que apagarei todos os maus momentos, todos os terríveis pensamentos... volta. Porque só tu me completas. Porque és tu a fonte da vida, a razão que me faz avançar em direcção ao precipício. Esse precipício onde só nós iremos ser felizes.
Vamos terminar esta história juntos. Vamos mostrar ao mundo que há muito para viver. E só assim poderemos cair no esquecimento. Memórias apagadas. Memórias mortas. Memórias jamais recordadas. Será o nosso mundo... só nosso.
(algures junto ao mar, 26-XII-2012)
Aqui fiquei, esperando as boas novas. Esperando a missiva que explicasse o deserto que sentia à minha volta. Aquela música melancólica teria assim, ao ritmo dos meus desejos, uma letra... talvez só ouvida pelo meu interior. Para os outros o silêncio completo. Porque eles não entendem. Porque eu não entendo.
Desejei que todo o tempo fosse consumido, como se se tratasse de combustível. Pedi que a luz me abandonasse e que o escuro envolvesse o nosso mundo. Oh tristeza tamanha... oh infortúnio... oh desgraça das desgraças.
E quando me dizem que é altura de avançar, de viver uma outra história, eu fujo. Sim fujo, daquelas infames vozes, dos sons que povoam todas as células da minha memória, que me embriagam e me levam ao terror que é viver sem ti.
Volta eu te perdoo, volta.
Volata que apagarei todos os maus momentos, todos os terríveis pensamentos... volta. Porque só tu me completas. Porque és tu a fonte da vida, a razão que me faz avançar em direcção ao precipício. Esse precipício onde só nós iremos ser felizes.
Vamos terminar esta história juntos. Vamos mostrar ao mundo que há muito para viver. E só assim poderemos cair no esquecimento. Memórias apagadas. Memórias mortas. Memórias jamais recordadas. Será o nosso mundo... só nosso.
(algures junto ao mar, 26-XII-2012)
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Novidade
Desde que tomo as minhas próprias opções de vida, que a praia está fora delas. Nunca achei muita piada àquela quantidade de água, ainda mais sabendo que nunca a conseguiria controlar. E o caso de quase me ter afogado à 20 anos atrás, fortaleceu ainda mais essa vontade de lá não voltar.
Gosto do mar e da costa portuguesa, mas não me via a atirar-me às ondas. Além do mais, como sempre vivi em sítios cujo risco de inundação só se for ao estilo Noéniano, nunca precisei de aprender a nadar (acho que já nem sei sequer como se boia (lol).
Acontece que ultimamente o mar me tem chamado. Tem-me atraído a ele. E eu, como menino bem mandado, lá tenho cedido à sua tentação.
Ontem fui à praia e estive lá quase uma hora a molhar os pés. Hoje voltei ao mesmo local e as horas multiplicaram-se. Levei um livro que há muito está para ler e o meu caderno de apontamentos, para anotar as ideias malucas que vêm à mente. Aproveitei ainda para me banhar naquele imenso Atlântico, que tanta importância teve, tem e continuará a ter para este velho rectângulo luso.
Talvez uma das maiores mudanças recentes na minha vida. Como se tivesse necessidade de reiniciar novos momentos. Sentir novas sensações. Sei lá... ser/ter um novo eu.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
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